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Muitas vezes, saber o que não fazer pode ser mais importante e eficiente do que o contrário.

Partindo deste princípio, listei aqui seis coisas que o novo autor não deve fazer, se quiser publicar e, efetivamente, divulgar e comercializar os exemplares de seu livro:

 

1. Nunca imponha seu trabalho aos outros.

Você é livre para publicar o que quiser em suas redes sociais, mas não tem o direito de invadir, uma vez por semana, as redes sociais alheias com links sobre seus projetos, seus textos, suas publicações. E isso inclui marcar pessoas no Facebook. Não existe nada mais desagradável do que postagens onde o autor marca 749 amigos, literalmente obrigando a geral a curtir e comentar o dito post.

Não é – definitivamente não é – uma forma inteligente de divulgar seu trabalho.

Comentários em textos alheios do tipo “oi, adorei, visite meu blog” também devem ser evitados, assim como o diabo evita a cruz.

E, muito importante: não entre em contato com editores, produtores, revisores, ou mesmo com outros escritores, pedindo que leiam seu texto e “digam sua opinião sincera”. Primeiro por que o sujeito provavelmente não tem tempo livre para ler e escrever uma avaliação sobre seu texto. Isso demora e exige dedicação.

Se quiser que alguém leia e dê uma opinião sincera sobre seu texto, contrate os serviços de um profissional da área.

Por fim, não entre em contato com seus amigos pedindo que “ajudem a divulgar seu texto/livro/lançamento/site”. É chato, incomodativo, detestável. Se o sujeito quiser divulgar seu trabalho, o fará. Se não quiser, não o obrigue nem o constranja a fazê-lo. Se preocupe em realizar um bom trabalho, que automaticamente ele será divulgado, sem que você precise implorar.

 

2. Não fale sobre o que não sabe.

Tem um ditado que diz “É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota, do que falar e acabar com esta dúvida”. Isso vale para tudo e para todos, e vale para o novo autor também.

Vejo dezenas, talvez centenas de novos escritores vomitando internet afora, sobre preço de livro, distribuição, publicação, mercado editorial. Opiniões absurdas, baseadas em nada além da fértil imaginação do novo autor.

Uma vez, um escritor conhecido meu postou no Facebook uma mensagem que recebeu de uma determinada editora, com sua proposta de publicação. Esta proposta incluía a aquisição, por parte do autor, de um número X de exemplares. Pois o autor postou o e-mail na íntegra, citou o nome da editora, e logo abaixo publicou um pequeno texto, ridicularizando sua proposta e colocando em cheque sua credibilidade (“acha que eu sou palhaço de pagar essa fortuna para publicar, mimimi, blábláblá).

Uma postura infantil, dispensável e que certamente desqualifica este autor para publicar em qualquer editora – inclusive uma onde ele não precise pagar.

Qualquer editor, de qualquer editora (grande, média, pequena), que viu esta postagem, pensará dez vezes antes de cogitar a possibilidade de publicar este cara, pois ele já demonstrou falta de profissionalismo e respeito uma vez, e certamente poderá fazer isso outras vezes.

Se não gostou da proposta, amigo, ignore-a sumariamente e vá em busca de outra editora. Simples que nem um copo d’água.

 

3. Cuidado com o peso do seu ego.

Muitos autores juram que são gênios, e nada pode ser pior do que isso.

Já vi autores entrarem em contato com editoras escrevendo besteiras do tipo “Em anexo encaminho o novo best seller brasileiro”, sendo que best-seller, Sr. Gênio da Literatura, se escreve com hífen.

E mesmo que o livro em questão tenha potencial para, de fato, se tornar um novo campeão de vendas, isso lá é maneira de se comportar, meu filho?

Imagino esse cara chegando numa moça em uma festa e dizendo “Oi, você quer ter a sorte, a honra e a incrível oportunidade de ficar comigo?”.

Muitos editores costumam levar em conta não somente o talento, mas a postura do escritor, e se o sujeito já chega se achando a Rainha de Sabá, as possibilidades de enfrentar grandes problemas futuramente são imensas.

E é assim que mais um original é sumariamente descartado.

 

4. Não subestime o trabalho alheio.

O novo autor tem mania de querer tudo (quase) de graça.

Reclama do investimento em revisão, do preço final do livro, dos custos envolvendo distribuição e divulgação, do lucro sobre a venda de cada exemplar.

Certa ocasião, um autor escreveu pra mim: “Tá difícil ser um novo autor sem dinheiro, né?”. Deu vontade de responder: “Olha, é difícil VIVER sem dinheiro, camarada”.

Esse autor é dentista. Pensei em procurar seu consultório, pedir um clareamento e, após receber a conta, reclamar: “Tá difícil ter um sorriso Colgate sem dinheiro, né?”.

Por favor.

 

5. Saiba escrever.

Parece óbvio, e é.

Mas, mesmo assim, muitos autores não entendem.

Não foi nem um e nem dois autores que já me disseram que não revisam o que escrevem por que “são escritores, não revisores”. Risos. Olha, amigo, a revisão faz parte da produção literária, caso você não saiba. Escrever e não revisar é igual querer cozinhar sem acender o fogão (“sou cozinheiro, não acendedor de fogão”).

Saber escrever também não significa escrever um milhão de páginas. Muito pelo contrário. Vocês conhecem aquela história, de um cara que enviou uma correspondência para seu irmão, dizendo “Escrevo-te esta carta em dez páginas por que não tive tempo de escrevê-la em três”? É isso. Escrever é a arte de cortar. Quanto mais você corta, melhor fica o texto – eis uma lei universal.

E, tirando raríssimas exceções, quem escreve um livro de 650 páginas geralmente mais encheu linguiça do que qualquer outra coisa.

Além do que, um livro de 650 páginas, após ser publicado, acaba ficando com seu preço altíssimo. Sei de muitas editoras que descartam livros com mais de 300 páginas sem sequer avaliá-los, justamente por que seu preço ao consumidor final ficará muito alto, inviabilizando a publicação. Evite.

 

6. Não exija o que não pode oferecer.

O autor quer ser lido, publicado, divulgado, comprado, idolatrado. Mas não quer fazer absolutamente nada para que isso aconteça.

Acredita piamente que basta ser quem ele é e escrever o que escreve, e tudo acontecerá como num passe de mágica.

Quer ser lido; mas escreve mal e errado (“sou escritor, não revisor”).

Quer ser publicado; mas, além de escrever mal e errado por que “não é revisor”, ainda trata sua editora como se esta devesse se ajoelhar e agradecer aos céus pela oportunidade única de publicar este futuro best seller (sem hífen mesmo).

Quer ser divulgado; de graça, né? Por que, afinal, quem trabalha com marketing literário não precisa pagar aluguel e nem comer.

Continua querendo ser divulgado, agora pelos seus amigos do Facebook; mas nunca curte, compartilha, comenta, e muito menos divulga o trabalho destes mesmos amigos.

Quer ser comprado; mas escreveu um livro de 650 páginas que custa R$85.

Quer ser idolatrado; mas não será. Talvez no dia em que entender que, para receber, é preciso também oferecer. Mas até lá, não.

Através das postagens que faço aqui, no Homo Literatus, busco única e exclusivamente colaborar para a profissionalização de nosso mercado editorial – que é, sim, um mercado bastante jovem.

Editoras existem desde que o Brasil foi descoberto, mas somente na última década o mercado editorial se democratizou e se expandiu, permitindo que pessoas sem costas quentes nem padrinhos influentes também pudessem publicar, e vender, e se dizer escritores.

Contudo, esta democratização trouxe, igualmente, amadorismos e picaretagens, tanto por parte de muitas editoras, quanto por parte de muitos autores.

Se quisermos tornar nosso mercado editorial um mercado sério, que trabalhe em cima de qualidade, com comprometimento e competência, e que remunere adequadamente todos os profissionais envolvidos (incluindo o próprio escritor), precisamos, enquanto autores, também fazer a nossa parte.

Mas não se engane, acreditando que estes predicados (qualidade, comprometimento, competência e remuneração) devem partir somente das editoras.

O autor também precisa se profissionalizar e parar de tratar a literatura como uma brincadeira.

Afinal, escritores que brincam de serem escritores acabam caindo nas mãos de editoras que brincam de ser editoras. E não podem sequer reclamar.

 

Publicado originalmente por Jana Lauxen no Homo Literatus

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