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Sejamos bem objetivos, porque o assunto é longo e, obviamente, interessante e muito controverso.

As dicas a seguir, é claro, servem para qualquer autor, mas em especial quem está começando sofre muito com a questão: como vou publicar meu (próximo) livro?

Como não há um bom e objetivo livro sobre este ponto específico no mercado (ok, eu escrevi um, mas ainda não tem editora…), tento sintetizar aqui alguns pontos que parecem óbvios depois que você pensou neles, mas que você precisa ter batido a cabeça uma ou duas vezes antes de cair a ficha.

Quando falamos de publicação, temos dois caminhos principais: ou você publica por conta própria, ou publica através de uma editora (incluindo, neste segundo caso, publicar em uma editora com a ajuda de um agente literário, coisa mais difícil de acontecer no Brasil para novatos…).

Além disso, podemos dividir as publicações em duas mídias: publicações digitais (e-books no Kindle, iPad ou outros) ou “clássicas”, em papel. Para cada caminho ou ambiente, vamos fazer algumas ponderações rápidas:

 

  • Custos de produção: Publicando com editoras, você não tem que se preocupar com custos, e ainda corre o risco de receber algum adiantamento, independente da mídia. Já na auto-publicação, o custo de uma publicação virtual é baixo, basicamente o seu tempo – a menos que você queira um trabalho profissional (que é o mínimo que se espera de um escritor…), o que implicaria em gastos adicionais: as horas de um revisor, um diagramador, alguém que monte a ficha catalográfica e forneça um ISBN e um capista. Auto-publicando em papel, além disso você terá que arcar com custos de impressão e distribuição, no mínimo, que são bem altos.
  • Distribuição: A distribuição é o grande calo de quem auto-publica livros impressos. Já pensou como fazer mil livros chegarem às mãos dos leitores, onde vai estocá-los em sua casa, e etc? No caso de auto-publicar livros eletrônicos, este custo é apenas o percentual de cada cópia que fica com a empresa que publicou o trabalho. A distribuição também é um problema para as editoras, uma vez que a maior fatia do preço da capa fica justamente com o distribuidor e as grandes redes de livrarias (algo entre 40% e 60%), mas aí o problema é outro: o livro, pelo menos, tem como chegar ao leitor.
  • Mercado potencial: No Brasil temos 96 milhões de leitores (pessoas que leram algum livro nos últimos 3 meses), segundo à mais recente pesquisa “Viva Leitura” a que tive acesso. Já no caso dos livros eletrônicos, temos poucas dezenas de milhares de Kindles, iPads, Gatos Sabidos e outros leitores comprados por Brasileiros. Sem pensar muito em segmentação por público-alvo em nenhuma das plataformas (sim, é uma aproximação grosseira…), teoricamente seu público potencial para livros físicos e virtuais é esse. Apenas uma comparação: Vendi 800 cópias de “O Nome da Águia” (físico) em seis meses, e apenas algumas dezenas de todas minhas obras virtuais (incluindo em inglês) para Kindle e iPad no mesmo período…
  • Lucro por livro: Este é o ponto que faz muitos autores optarem pela auto-publicação. Para cada livro físico publicado por uma editora de médio ou grande porte, o usual é o autor ganhar algo entre 7% e 15% (10% é o mais comum) do preço de capa, exceto no caso dos autores best-sellers, que eventualmente conseguem negociar taxas melhores. Várias editoras, como a Saraiva, estão mantendo este percentual para livros eletrônicos – o que eu acho um total absurdo e abuso! – enquanto outras oferecem percentuais maiores (30% na A!Press, minha editora americana, por exemplo). Ao auto-publicar um livro no Kindle você recebe 35% do valor da venda (70% se morar nos Estados Unidos…), e 70% ao publicar no iPad através de um publisher como a IndiaNic. Se o livro for auto-publicado em papel, você pode receber até 100% do valor de capa, se você mesmo vendê-lo, mas lembre-se de neste caso debitar daí todos os custos de divulgação, venda, deslocamento, tempo gasto, etc.
  • Lado Emocional: Muitos autores só se sentem escritores de verdade ao ter em mãos seu livro de papel. O momento de receber os primeiros exemplares é mágico, um sentimento de realização indescritível e renovado a cada livro. Além disso, há o lado emocional dos leitores: há muitos leitores que compram “por impulso”, passeando pelas livrarias e folheando livros até acharem algum que os atraia (sim, isto acontece – de que outra meu primeiro romance teria vendido o que vendeu, uma vez que a divulgação foi muito pequena?). Por mais que a Apple Store e a Kindle Store sejam “bonitinhas”, não substituíram este lado emocional da compra, pelo menos por enquanto, nas terras brasileiras.
  • Facilidade para publicar: Para auto-publicar um livro de papel, basta achar uma gráfica de qualidade (avalie MUITO a qualidade para não se decepcionar!) ou uma editora que aceite publicar livros pagos. Livros eletrônicos são ainda mais simples: Você pode auto-publicar seu livro no Kindle em http://dtp.amazon.com/ ou no iPad através de um “publisher” como a IndiaNic (hhttp://www.indianic.com) sem custo e rapidamente. Já no mundo das editoras, achar uma grande editora ou um agente literário para seus trabalhos é um trabalho tão hercúleo quanto inglório; mas existem muitas editoras pequenas que abrem as portas para novos autores e que, se não conseguem ter uma boa distribuição em todo o país, pelo menos são uma excelente opção para quem está começando.

Com certeza muito mais poderíamos falar sobre as diferenças do mundo físico e virtual, e da auto-publicação versus a publicação por editoras. Como Boyd Morrison (que inspirou este post com seu artigo, To Self-Publish or Not to Self-Publish) disse, no final é uma escolha muito pessoal, que depende de você já ter ou não um público leitor, ser ou não famoso, ter ou não tempo e dinheiro para gastar.
O mais importante é você saber que precisa se informar; e se as respostas certas são por vezes difíceis de descobrir, pelo menos garanta que você não esqueceu de fazer nenhuma pergunta importante!

 

Fonte: Alexandre Lobão

 

 

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