Compartilhe!
Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on Twitter0Share on LinkedIn0Pin on Pinterest2

Quando em 2011 o premiado escritor e dramaturgo David Mamet lançou “The Secret Knowledge: On the Dismantling of American Culture” [O conhecimento secreto: sobre o desmanche da cultura americana], pela editora Sentinel, a obra chegou à lista de best-sellers do “New York Times”.

Neste ano, ao preparar o lançamento de um novo livro que reúne uma novela e dois contos sobre a guerra, Mamet optou por um caminho muito diferente: decidiu que irá se autopublicar.
Mamet está aproveitando um novo serviço oferecido por sua agência literária, a ICM Partners, como forma de ter mais controle sobre a promoção do seu livro.

“Basicamente, estou fazendo isso porque sou muquirana”, disse Mamet, “e porque o setor editorial é como Hollywood –ninguém nunca faz o marketing que promete”.

A autopublicação –que inclui a distribuição digital e a impressão sob demanda– está se popularizando, mas até agora as atenções se voltam principalmente para autores sem contrato com editoras, que graças à própria engenhosidade cavam um lugar nas listas de best-sellers.

O anúncio da ICM e de Mamet sugere que a autopublicação irá começar a se tornar atraente para autores mais estabelecidos. Mamet escreveu a premiada peça “Sucesso a Qualquer Preço” e muitos roteiros, incluindo o de “Os Intocáveis”.

Autores autopublicados não recebem adiantamentos, mas geralmente ficam com 70% do valor das vendas. Um contrato padrão com editoras tradicionais garante um adiantamento ao autor mais uma participação –o habitual é 25% sobre as vendas digitais e 7% a 12% do preço de lista de livros encadernados, depois que o adiantamento é ressarcido pelas vendas.

Desde o ano passado, o Trident Media Group, que representa 800 autores, oferece a seus clientes possibilidades de autopublicação em contratos negociados por intermédio de editoras on-line, como Amazon e Barnes & Noble. Robert Gottlieb, presidente da Trident, disse que 200 autores já se beneficiaram do serviço, embora a maioria o use para relançar títulos mais antigos.

Sloan Harris, codiretor do departamento literário da ICM, disse que sua agência firmou contrato com uma empresa chamada Argo Navis Author Services, um serviço de autopublicação criado pelo Perseus Book Group, porque achou que era hora de dar aos seus clientes mais opções além das grandes editoras tradicionais. “Para autores que andavam frustrados”, disse Harris, “a autopublicação devolve um grau de controle sobre como ideias de marketing e publicidade são usadas”. Tanto Harris quanto Mamet dizem que as grandes editoras priorizam livros de grande sucesso em detrimento de outros títulos -dos quais publicam poucos exemplares, por exemplo, ou limitam a publicidade a um curto período de tempo após o lançamento.

Embora Mamet seja o mais conhecido cliente da agência a usar o novo serviço, ele não é o único: dois livros mais antigos de clientes da ICM serão relançados dessa forma: “Searching for Bobby Fischer” [Procurando Bobby Fischer], de Fred Waitzkin, e “Ghosts of Mississippi” [Fantasmas do Mississippi], de Maryanne Vollers.

Mas se um autor se autopublica, qual é então a função de uma agência literária? Gottlieb, da Trident, diz que faz sentido para seus clientes usarem a agência, que cobra uma comissão padrão sobre as vendas, porque a agência tem experiência em marketing e criação de sobrecapas. Ela também tem relações com as editoras digitais, que dão aos seus clientes uma visibilidade nos sites que autores autopublicados não conseguem.

Vista antigamente como um afago no ego de autores que não conseguiam contratos com grandes editoras, a autopublicação representa atualmente mais de 235 mil livros por ano, segundo a Bowker, empresa de pesquisas do mercado editorial. Grandes editoras, como Penguin e Harlequin, abriram divisões de autopublicação por verem nisso um futuro centro de lucros.

A vasta maioria dos livros autopublicados jamais terá um grande público, mas os títulos autopublicados já representaram quase um quarto das obras mais vendidas no ano passado na Amazon, segundo a empresa.

Peter Turner, ex-executivo do setor editorial e fundador da consultoria Ampersand Publishing & Marketing Solutions, disse não esperar que uma enxurrada de grandes nomes siga Mamet, pelo menos imediatamente. “Isso coloca muito mais risco sobre o autor e o agente”, disse ele.

Mamet, por sua vez, disse ter fé nas vendas do seu novo livro, mesmo sem uma editora tradicional.

“Vou promovê-lo de forma infernal”, afirmou, “embora eu provavelmente também vá cometer meus próprios erros”.

 

Publicado originalmente por Leslie Kaufan no “New York Times” e traduzido na Folha de S. Paulo

Dê seu voto
Compartilhe!
Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on Twitter0Share on LinkedIn0Pin on Pinterest2
eBook grátis Como transformar ideias em livros de sucesso