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Muito antes dos livros existirem como objetos físicos, os contadores de histórias transmitiam dados essenciais às sucessivas gerações de forma oral. A linguagem, como a conhecemos hoje, nem havia se formado ainda mas as histórias eram contadas por meio de gestos rítmicos, acompanhados de fonemas significativos, ao som da batida de pedra contra pedra, do uso de troncos ocos como tambores e do sopro amplificado por chifres de animais.

Com a evolução da linguagem falada, os antigos sumérios foram o primeiro povo a desenvolver a escrita cuneiforme. Eles a utilizavam em pequenos tijolos ou tabletes de barro, por volta do ano 4000 A.C., para registrar informações importantes sobre sua história, transações comerciais e instrução de rotas e navegação para viajantes.

Aqueles que tinham acesso e compreensão do que era talhado nos tabletes sumérios possuíam grande vantagem competitiva no comércio e até na política daqueles dias.

Muito tem se falado hoje do crescimento do mercado de tablets como uma possível alternativa à indústria da mídia impressa. Fala-se, inclusive, de uma canibalização ao mercado de computadores e notebooks. Mas, com quais finalidades os modernos tablets são utilizados? Não será, na verdade, um retorno ou uma repetição, respeitadas as devidas proporções, do mesmo modelo de leitura e informação desenvolvido pelos sumérios? Também utilizamos nossos tablets e smartphones para transações comerciais, registros do nosso cotidiano e informações de navegação via GPS.

O mercado de tablets, como o conhecemos hoje, surgiu em janeiro de 2010, quando Steve Jobs anunciou o lançamento do iPad. Mas, antes disso, um produto fisicamente similar, embora com experiência mais limitada, ganhava a atenção da mídia e, consequentemente, dos consumidores. Eram os leitores digitais – ou e-readers – representados, principalmente, pelo Kindle da Amazon. Assim que foi lançado pela Amazon, em novembro de 2007, o Kindle foi um sucesso de vendas. Todo seu estoque foi vendido em pouco mais de 5 horas, voltando às prateleiras apenas em abril do ano seguinte. Desde então tem sido um sucesso de vendas. Embora a fabricante não divulgue seus números de vendas, o Citi Investment Research estima que, desde seu lançamento, tenham sido vendidos mais de 3.6 milhões de unidades apenas nos Estados Unidos. Entre suas principais funcionalidades, estão a leitura de livros, revistas e jornais. O aparelho pode ter conexão com a internet mediante pacote de dados ou acesso sem fio.

Na verdade, o primeiro leitor de livro eletrônico a ser comercializado nos Estados Unidos foi o Rocket-ebook lançado em 1998 pela Nuvomedia. Empresas como a Sony também tentaram se aventurar neste modelo de negócio, mas quem obteve sucesso mesmo foi a Amazon com o Kindle.

Foi baseado nesse sucesso e na proposta de inovação que foi lançado, tardiamente em 2010, o iPad da Apple. Desde então, tem sido um dos produtos de maior desejo entre os consumidores, inclusive no Brasil.

De acordo com pesquisa realizada pela empresa AdMob, empresa de mobile marketing do Google, os principais usos dos tablets são: jogos, com 84% de resposta, procura de informações, com 78%, e-mail, com 74%, e leitura de notícias com 61%. O tablet é usado para leitura de livros digitais em 46% das vezes.

Segundo a Anatel, no Brasil um celular é ativado por segundo e, por minuto, são vendidos 5 tablets, 11 desktops e 17 notebooks. Mas a curva de venda de tablets é mais rápida que a dos demais concorrentes.

Um outro fator que vem contribuindo para o aumento do uso de tablets para leitura é a decisão de algumas escolas adotarem o dispositivo em substituição ao livro impresso. O Ministério da Educação pretende adotar o uso de dispositivos e livros digitais até o final de 2015.

Todas essas medidas fortalecerão o uso de tablets para leitura. As novas gerações de leitores que estão em processo de formação serão treinadas na leitura em dispositivos eletrônicos. Muito provavelmente, ao contrário do que acontece hoje com a maioria dos leitores que preferem o livro impresso ao eBook, haverá uma inversão de preferência em alguns anos.

Existe hoje uma preferência natural pelo livro de papel porque nossa leitura foi treinada no papel, mas as próximas gerações serão cada vez mais iniciadas e treinadas nos tablets, o que reforçará uma preferência gradual por estes dispositivos.

Enfim, o que temos hoje nas mãos é o retorno a uma “tecnologia” de escrita e leitura de aproximadamente 6 mil anos de idade.

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