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Entre a prisão domiciliar e o asilo na embaixada do Equador, Julian Assange, 42, está confinado há 2 anos e 9 meses no Reino Unido. Depois de amanhã, 4a feira, participa de uma videoconferência sobre vigilância digital que se realiza em Sao Paulo no Centro Cultural (discute-se liberdade, privacidade e o futuro da internet).

Deu uma entrevista a Nelson de Sá publicada neste domingo pela Folha – “Além de Snowden, dele próprio e dos colegas Glenn Greenwald e Laura Poitras, acrescenta 1 nome à lista dos exilados da distopia – Sarah Harrison, jornalista do WikiLeaks que não pode mais voltar ao Reino Unido (aconselhada por advogados após participar dos episódios que culminaram com o asilo provisório concedido a Snowen na Russia).

Entre várias respostas interessantes, ele critica a presidenta br Dilma Rousseff por negar o asilo que o WikiLeaks pediu para Snowden – “Sob Lula, o Ministério das Relaçoes Exteriores era bastante independente. Nao ter concedido asilo sugere que a posiçao da presidenta é fraca” – diz.

Perguntado, responde que não pode falar como foram seus contatos inciais com Snowden “por razões legais”. Mas ressalva que “é interessante falar por que não podemos falar. É porque os EUA se engajaram na expansão de seu regime legal para outros países – onde alega crimes”.

“Quando é que 1 governo controla outro país? – Quando ele controla o uso da força de coerção. No caso do WikiLeaks, o governo aplica a Lei de Espionagem de 1917 contra jornalistas fora dos EUA”. Cita ele proprio, Snowden, Laura Poitras – a documentarista de Nova Iorque associada com Snowden está em auto-exílio na Alemanha. E ainda Greenwald, do Guardian, em auto-exílio no Brasil “que não pode ir com segurança aos EUA”.

“Que conselho o sr daria à presidenta Dilma e à Petrobras? Adotarem criptografia, como escreve em ‘Cypherpunks’?” – “Sim”, ele respondeu – “precisam abraçar a criptografia. O problema de comprar equipamento de criptografia para a Petrobras ou a presidenta é: você pode confiar no fornecedor? Os EUA são especializados em se infiltrar no chip dos equipamentos criptográficos. O que o país precisa é conseguir o talento brasileiro para suas próprias agências de criptografia, para que desenvolvam tecnologia que seja confiável”.

“O sr está em reclusão há quase 3 anos. Como é o seu cotidiano na embaixada? Pode tomar sol? Enfrentou depressão?” – Respondeu – “Eu refleti sobre essa situação algumas vezes. Mas nós temos uma dezena de processos judiciais, temos nossas responsabilidades em relação a Snowden e protegendo nossas outras pessoas. Isso tudo é tão engajador que, felizmente, não há muito tempo para pensar na minha própria situação”.

Sobre o momento atual – “O que estamos vendo, com o fracasso da intenção de abrir 1 ataque à Síria, com as revelações, é o desenvolvimento de um novo corpo político internacional, de um novo consenso, de um novo demos – o povo como unidade política” – “Se a internet, por um lado, ampliou imensamente o poder dos EUA como Estado, por outro também produziu uma nova sociedade. É um tempo muito interessante, porque ou vamos derivar para essa distopia ou para esta nova cultura internacional fortalecida, que vai fornecer uma força prática e política de equilíbrio”.

 

Publicado originalmente no Blue Bus

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