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Com o início das vendas do Kobo no Brasil, apesar do preço alto, entramos efetivamente na era do ebook. Fui outro dia na Cultura e é agradável ver o aparelho ali à venda para quem quiser comprar, muita gente experimentando e comprando, tentador também ver aquela festa de livros em papel, volumes cada vez maiores, superlativos, mas agora, toda aquela livraria cabe nas poucas gramas do aparelho, menor que todos os livros expostos; desperta até um sentimento de nostalgia de quem por muito tempo idolatrou o papel, mas estes tempos se foram, pelo menos para mim, e carregar aquele peso hoje está fora de questão, mas uma coisa é verdade, meu carro sempre ficou com o banco de trás forrado de livros, ninguém nunca pensou em roubar, mas o e-reader na rua ainda desperta muita atenção, não pelos livros mas por ser um eletrônico, só serve para livros, mas quem disse que a cobiça dos meliantes é racional?

Estamos há tanto tempo aqui divulgando a “novidade” e apostando em sua capacidade para sanar nossa deficiência mais básica: leitura, cultura e educação, que esquecemos, muita gente não tem nem idéia de como funciona o aparelho e suas reais competências, assim, vou falar do básico para quem inicia na leitura eletrônica.

Os dois aparelhos que vão competir no mercado nacional são o Kobo touch já disponível, e o Kindle 4 ainda uma promessa sem data marcada de venda, portanto, no momento a única opção no mercado nacional é o Kobo a R$400,00, cinqüenta mais barato do que importar o aparelho mais barato o K4. Além do Kobo Touch a Kobo tem dois outros e-readers em linha: o mini com tela de 5”, mais barato e priorizando a portabilidade e o Kobo Glo, com tela iluminada e maior resolução, custando mais caro que o modelo atual, e segundo o vendedor da Cultura com estréia em começo de fevereiro. O Kindle 4 que não se encontra à venda é o modelo básico da Amazon, sem touch, com apenas dois giga de memória sem possibilidade de expansão e custa, mesmo nos EUA, mais barato que o Kobo Touch que tem entrada SD para expandir a memória e tela sensível. A Amazon tem ainda dois modelos em linha: o antigo K3 e o novo paperwhite, semelhante ao Kobo Glo mas sem possibilidade de expandir a memória, sem venda prevista no Brasil.

O importante na decisão sobre os aparelhos não é o hardware em si, mas o ecossistema que vai junto, quem tem Kindle só compra na loja da Amazon, se quiser comprar em lojas com Adobe DRM tem que quebrar a proteção e converter o livro para carregá-lo no Kindle; quem tem um Kobo pode comprar em qualquer loja que use adobe DRM, ou seja, todas menos a Amazon. Este tal de DRM é uma exigência das editoras para evitar que você copie e tenha a posse física do livro, ficando a compra não como a aquisição de um bem, mas um aluguel, bom… isto funciona nos EUA, mas nosso código do consumidor é um pouquinho mais protetor, de qualquer maneira, para comprar um livro na Amazon e carregar no Kobo teria que arrumar um jeito de quebrar a proteção, e a da Amazon é a mais difícil.

Ambos os aparelhos são bons para ler, a grosso modo não há grandes diferenças, como o Kobo touch permite expansão SD, você pode ter o conceito de biblioteca ambulante, levando todos os seus livros, documentos e periódicos consigo, com eles sempre a mão para consulta, quem está no meio acadêmico vai achar esta funcionalidade inestimável, além de poder copiar o seu cartão, ou simplesmente trocar o cartão de leitor ao mudar de aparelho. O Kindle 4 tem apenas dois Giga de memória, sendo que parte é do sistema, não é exatamente restritivo, você vai poder carregar por aí talvez um milhar de livros, mas assim que a memória esgotar vai ser obrigado a deixar alguns fora do aparelho, não vai incomodar quem está começando, mas quem já tem uma biblioteca de milhares de volumes isso passa a ser restritivo. Lembrem-se que muito livro está disponível gratuito em domínio público e grande parte da cultura clássica estará disponível para ti de graça, assim, é fácil ter mais de mil livros, fora os modernos que você compra.

O Kobo touch como o nome diz tem tela sensível, todos os comandos são via tela, muda-se de página tocando a tela, se quiser fazer uma anotação no livro, abre-se um teclado virtual e você digita na tela. O Kindle 4 não tem tela sensível, você muda as páginas usando um botão lateral e se quiser anotar algo nas páginas do livro tem que sair caçando letra por letra com um teclado direcional, o mesmo para dicionário e marcação, que no Kobo touch é feito diretamente tocando a palavra na tela.

A bateria de ambos é equivalente, durando cerca de um mês, em ambos livros podem ser carreados via wi-fi ou diretamente do computador com um cabo USB. Vale lembrar que para carregar livros no aparelho que não tenham DRM a melhor opção é o programa chamado Calibre, é gratuito e funciona como gerenciador da sua biblioteca eletrônica, indispensável para qualquer leitor, ele converte os formatos e envia ao seu aparelho o livro no formato que ele tem capacidade de ler.

Tirando a complicação do DRM, ainda temos que lidar com os formatos de arquivo diferentes que cada aparelho lê, ambos os aparelhos lêem PDF, mas o formato nem é próprio nem é bem lido, acho que de maneira proposital para desencorajar os que já tem muitos documentos neste formato. O PDF é um formato que tem como objetivo final apresentar um documento em um formato fixo que será visualizado igual em todos os aparelhos e simulando uma folha de papel, pense em uma folha A4 e uma tela minúscula de 6” que tem a área útil pouco maior que um pocket, temos aí um problema, se o e-reader mostrar a folha inteira, as letras ficarão muito pequenas para ler, o mesmo ocorre nos tablets de tela pequena, aí você tem que dar um zoom e navegar na janela enquanto lê. No Kindel 4 é virtualmente impossível, no Kobo Touch desconfortável pois você tem que ficar indo e voltando no zoom da página. O aparelho de tela 6’que melhor lê PDFs é o Sony, nele você fixa um nível de zoom e simplesmente navega pela página, nada difícil de implantar nos outros aparelhos, mas como disse, acho que o desconforto é proposital, uma vez que existe muito documento em PDF que é concorrente. Para complicar um pouco, um PDF não é um padrão fixo podendo mostrar diferentes tipos de documento, se você digita um texto e o converte para PDF ele contém o texto digitado e como nas páginas web dependendo do dispositivo o texto pode acompanhar o tamanho da tela, sem contar que o código assim ocupa muito menos espaço, tais documentos podem inclusive ser convertidos de forma eficiente em outros formatos pelo Calibre; mas existem textos que não são textos, em realidade imagens código JPG de páginas impressas, ali não existe texto e as palavras não podem ser acomodadas em nova formatação dependendo do aparelho, estes são os mais difíceis, pois para ler é necessário navegar pela imagem e nem convertem bem, pois ficam as imagens sem possibilidade do texto acomodar-se em telas menores.

O formato principal do Kobo é o EPUB que é um padrão mundial, meio que derivado do HTML, é um texto que acomoda-se à tela com referências de formatação, ele também lê outros fomatos, dentre eles o CBZ muito popular para quadrinhos e até o Mobi sem DRM. O Kindle 4 fica principalmente no Mobi e KF8 e outros proprietários da Amazon para serem adquiridos na Amazon. Se você tiver um Kindle e só comprar na Amazon esta questão de formato nem aparece para ti, só se quiser colocar no seu aparelho textos fora do sistema Amazon. Apesar do EPUB ser um padrão, nem todo aparelho o implementa igual, assim o mesmo livro pode ter um visual diferente em cada aparelho, como no HTML e os vários browsers, desta maneira, antes de comprar um livro sempre baixe uma amostra, se não para ver o conteúdo, para ver se o mesmo aparece bem formatado no seu aparelho, não são raros os casos de formatações tão ruins que impedem a leitura, principalmente com livros brasileiros, portanto, tome cuidado e baixe a amostra.

Já falei muito aqui da diferença entre e-readers e tablets, e para encurtar: o e-reader é para ler e apenas para ler, ao contrário do tablet que faz muita coisa mas é ruim para ler por conta da tela, o e-reader desaparece na sua mão como um livro de papel, ao finalizar um livro você não se lembra do suporte apenas da estória. A tela e-ink é avançadíssima e feita para leitores, gasta pouca bateria e dá uma lavada em LCDs e LEDs quando a função principal é leitura, além disso, o aparelho dura mais, não obsolescendo no ano seguinte com o lançamento do novo sistema operacional.

Portanto, façam suas escolhas e sejam bem vindos ao mudo da leitura digital, igual à do papel, só esperamos mais barata e acessível, e se possível juntem-se a nós em nossa cruzada para exigir nossos direitos e acabar com o imposto indecente cobrado sobre e-readers e ebooks que subdesenvolve a educação no Brasil.

 

Publicado originalmente por Alex no eBook Brasil 

 

 

 

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