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Para editores, os formatos impresso e digital podem – e devem – conviver. Tendência é que nos próximos anos o número de leitores digitais cresça com maior presença dos livros didáticos digitais, via PNDL

Não é mais uma questão de vida ou morte do livro. Ou se o livro digital irá substituir o impresso. Para editores, os dois formatos podem – e devem – ter uma convivência pacífica.

“A discussão do fim do livro está ultrapassada. Os dois mercados – de impressos e ebooks – estão crescendo no Brasil. O mais importante é que o editor ofereça o conteúdo onde quer que o leitor queira ter, comprar e ler. Uma coisa complementa a outra”, afirma Camila Cabete, da Kobo Brasil. “A coexistência é uma realidade. Acho besteira criarmos esta rivalidade”, acrescenta. Comprada em 2012 pelo terceiro maior comercio eletrônico do mundo, a Rakuten, os e-readers (leitores de livros digitais) Kobo chegaram ao Brasil em novembro do ano passado. “Temos um acervo, no mundo, de mais de 3,5 milhões de ebooks e mais de 10 milhões de usuários ativos em nossa plataforma”, conta Camila.

Para Gabriela Dias, editora, consultora digital e curadora da Alt+Tab, iniciativa dos Amigos dos Editores Digitais (AED), grupo que promove cursos e palestras sobre mercado editorial digital, a proporção dessa convivência entre os dois formatos é que deve variar, dependendo do tipo do livro (didático, ficção, não-ficção, profissional ou técnico). “Não existe uma fórmula única. Cada livro tem uma função diferente e pode ser menos ou mais propício a ser lido ou consumido em um ambiente digital”, pondera. “Quando as pessoas falam de livro digital, geralmente pensam em gêneros como ficção e literatura. Mas existem vários tipos de livros que já migraram para o formato digital e deixaram de fazer sentido no papel”, observa Gabriela.

Para ela, a tendência é que nos próximos anos a transição do livro impresso para digital no Brasil seja mais intensa, com uma maior presença do formato digital na educação. “Esse ano, o edital do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) referente ao ano letivo de 2015 solicitou que as editoras entregassem os livros em formato de ebook. Com isso, se essa tendência continuar, entre 2015 e 2017 toda a educação básica estaria com o livro digital”, diz. “Essa é uma informação relevante, principalmente no Brasil, o segmento [de livros didáticos] é, de longe, o maior do mercado, respondendo por 51% do faturamento e por 56% dos exemplares vendidos no país”, observa.”Talvez até, o livro digital seja um caminho para superar nosso déficit de leitura”, vislumbra.

“O digital não é um substituto, é outra mídia. Para algumas aplicações, vai roubar do papel, porque é muito mais eficiente – livros jurídicos, de medicina, guias de viagem e qualquer outro produto grosso, custoso e rapidamente desatualizável”, afirma Julio Silveira, editor e diretor da Ímã Editorial. “Já existe uma cadeia produtiva e um mercado do livro eletrônico, mas eles ainda estão calcados no papel. Ainda se acha que livro é coisa de editora, então são as editoras tradicionais que estão se adaptando para o digital”, explica.

Silveira lembra que a derrocada das gravadoras virou um alerta para as editoras. “Assim como as gravadoras insistiam em vender discos (e não música), as editoras sabem que não podem oferecer só livros, quando o público quer o texto”, afirma.

 

Publicado originalmente por Cassiano Viana no IG | Brasil Econômico

 

 

Mercado editorial vai conciliar livros digitais e em papel
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