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A comunicação natural e instantânea das ruas tem muito a ensinar ao marketing digital que ainda está engatinhando nas suas primeiras ações pela internet.

Muitos anos antes dos “virais” da internet um camelô bom de papo ou de show já fazia sucesso nas esquinas atraindo passantes à sua volta, engolindo facas, mostrando produtos milagrosos ou fazendo piadas com medição instantânea de audiência.

O marketing popular sempre teve origem no gesto teatral, de circo, humor, improviso e intuição. Nenhum lugar tornou-se mais apropriado para esta mídia do que a própria rua, a praça. Demasiado humano, diria Nietzche com sua ironia filosófica.

No mais antigo mercado de rua do Rio, a SAARA, o mascate partia nos anos 40 para o interior com suas mercadorias embaladas em duas caixas enormes de madeira. Todo mês ele visitava um vilarejo, usando uma matraca para chamar a atenção, vendendo produtos, trazendo notícias das grandes cidades e mensagens de parentes e conhecidos.

Com o crescimento urbano desordenado o camelô conquistou seu espaço, como formigas na rua, montando e desmontando barracas portáteis, dia após dia. “Feedback” para eles é poder comprar a quentinha com bife de panela, arroz e feijão. “Conceito” é preço barato e mercadoria boa para vender. “Estratégia” é saber evitar e fugir rápido do rapa. Cliente para eles ainda se ganha na unha e no grito.

O menino no sinal em cima de um banquinho e nariz de palhaço precisa pintar a cara e dar show de malabarismo para ganhar uns trocados.

Nos ônibus o homem-bala sorri enquanto equilibra sua mercadoria, nas curvas e buracos que fazem o ônibus sacudir e frear. Vende o que pode em segundos e mergulha de novo no asfalto.

Nas praias vendedores ambulantes querendo ganhar um lugar ao sol, criam personagens para se tornarem conhecidos e íntimos, usando suas mercadorias como adereços para performances teatrais encenadas em areias lotadas de gente.

Sol a pino ou chuva braba, a web segue crescendo e bombando abrindo suas teias sobre as metrópoles conectadas, e enquanto isso os camelôs, ambulantes, artistas anônimos e meninos de rua continuam ativos e se adaptam aos novos tempos. Como qualquer empreendedor ou start-up eles não querem patrão, querem ser donos do próprio nariz e garantir uma grana no fim do mês.

Marketeiros de plantão, vamos dar um tempo e ficar ligados no que essa comissão de frente vai continuar a inventar para se virar e sobreviver. Para ser criativa e ganhar as novas gerações a internet ainda tem que aprender muito com os lances de marketing que acontecem em cada esquina.

A internet 4G vem aí, mas o camelô 3D também.

 

Publicado originalmente no blog do Roberto Tostes

O que o marketing digital pode aprender com a comunicação das ruas
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