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Um evento distribuiu mais de mil livros em meia hora em São Paulo – e pode se repetir em qualquer lugar

Para quem duvida que o Brasil possa se tornar um país de leitores, o último sábado foi um bom dia para começar a acreditar. Como disse na coluna anterior, 25 de janeiro foi o dia escolhido pela campanha Esqueça Um Livro para promover o desapego literário em São Paulo e outras cidades do Brasil. Peço licença para voltar ao assunto. Sempre me incomodou a maneira como a imprensa anuncia eventos desse tipo alguns dias antes da realização e, em seguida, esquece o assunto até a próxima edição – quando há próxima edição. Tão importante quanto divulgar a campanha é mostrar seus resultados. E o resultado da Esqueça Um Livro foi um grande sucesso.

Disse aqui que o organizador da campanha, Felipe Brandão, levaria 600 livros para distribuir na Avenida Paulista. Errei. Nos dias que antecederam o evento, algumas editoras fizeram grandes doações e o número final superou os mil exemplares. Pouco antes das 14h, os livros foram deixados em frente ao Conjunto Nacional. O prédio é um velho conhecido dos amantes da leitura, por abrigar uma das livrarias mais tradicionais da cidade. Agora temos outro motivo para lembrar dele. Em poucos minutos, a calçada estava lotada de leitores. A aglomeração era tanta que vez ou outra um policial ou segurança entrava na multidão para conferir o que estava acontecendo. Imagino que esperavam ver qualquer coisa no meio daquele burburinho – menos uma pilha de livros.

Em menos de meia hora, todos os livros arrecadados pela campanha tinham encontrado novos donos. A distribuição de livros continuou por mais uma hora, com a ajuda de outras pessoas que trouxeram doações.

A equipe de ÉPOCA estava lá para acompanhar o evento e fazer o vídeo (assista abaixo) que acompanha a coluna de hoje. Também levamos oito livros que decidi esquecer. Era o que cabia na mochila. Quero levar mais na próxima vez. Já falei aqui sobre o quanto é difícil praticar o desapego quando gostamos muito de algum livro. Na prática, não dói tanto. Tirar um livro da estante não é a melhor das sensações, mas ver que ele pode fazer a alegria de outro leitor é muito gratificante.

Seis dos livros que levamos ficaram com um grupo de adolescentes que se reúne no Facebook para combinar eventos culturais. Vão a livrarias, bibliotecas e teatros. Depois que todos tiverem lido os livros, eles prometem repassá-los para outros adolescentes que também sejam fãs de leitura. Um universitário, admirador de Nietzsche, levou Além do bem e do mal. Mrs Dalloway ficou com Raiane Rezende, de 16 anos. Ela começou a ler em 2012, com a série Harry Potter, e não parou mais. Diz ter lido mais de 40 livros em 2013. Depois de ler o clássico da Virginia Woolf, quer deixá-lo num lugar público novamente. Não na Paulista, mas em Itaquera, bairro onde mora, e onde faltam atividades culturais para jovens.

O que aconteceu em São Paulo pôde ser visto, em menor escala, em outras cidades do país. Participantes abandonavam os livros em lugares públicos e enviavam fotos para o site do Esqueça Um Livro. Um dos grandes trunfos da campanha é que ela não é centralizada. Qualquer um pode participar. Felipe afirmou que organizará mais eventos do tipo em 2014, mas a comoção causada pelos livros na Paulista pode se repetir em qualquer outra cidade, sem dia ou hora marcada. Basta que algum leitor ou grupo de leitores reúna algumas dezenas (ou centenas) de livros e decida distribuí-los. Seria ótimo se isso se tornasse uma prática corriqueira.

O acesso aos livros é apenas um pequeno passo para melhorar os índices de leitura no Brasil. Há obstáculos educacionais, culturais e sociais que precisam ser superados. O caminho é longo e difícil. Mas é preciso comemorar as boas ideias.

Assista ao vídeo da campanha Esqueça Um Livro na Avenida Paulista:

 

Publicado originalmente por Danilo Venticinque, na Época

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