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Ver o capítulo da telenovela, escutar música, dormir, encontrar os familiares, assistir a um filme ou sair com os amigos. Todas essas opções de lazer são melhores do que usar o tempo livre para ler jornais, revistas, livros ou textos na internet. É o que apontou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que é feita pela Fundação Pró-Livro e pelo instituto Ibope Inteligência a cada quatro anos. De acordo com o último estudo, divulgado no segundo semestre de 2012, 24% dos entrevistados afirmaram que cultivam o hábito de ler durante o tempo livre. Na pesquisa anterior, divulgada em 2008, esse índice era de 36%.

Ainda conforme o painel, o brasileiro lê, em média, 1,85 livro por trimestre, número também menor que a média registrada anteriormente, que foi de 2,4 livros a cada três meses.

A pesquisa da fundação revelou a queda de leitores no país. De 95,6 milhões para 88,2 milhões, conforme os dados apresentados no ano passado. O índice representa que o universo de leitores diminuiu 9,1%. O resultado de 88,2 milhões de leitores corresponde a 50% da população total de brasileiros com 5 anos ou mais (178 milhões).

No topo da preferência dos brasileiros para as horas de lazer está o costume de ver televisão, que subiu de 77% para 85%. Na sequência de opções para suprir os momentos de ócio, estão escutar música ou rádio (52%), descansar (51%), reunir com amigos ou família (44%), assistir a filmes em DVD (38%) e sair com amigos (34%).
O Ibope ouviu 5.012 pessoas em 315 municípios brasileiros e classificou como leitor o entrevistado que leu pelo menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa. Os entrevistados puderam escolher mais de uma opção de lazer.

 

 
Intensificar é preciso

Reunir-se com amigos, descansar ou acessar redes sociais são as escolhas do servidor público federal Breno Valadares de Abreu, de 24 anos, para os momentos de folga. Segundo o servidor, apesar de não ter a preferência entre os hobbies, a leitura precisa ser intensificada. “Costumava ler mais em meu tempo de faculdade de Direito. É um hábito que quero retomar, pois a literatura nos auxilia em diversos aspectos do dia a dia”, disse Abreu.

Para Marcelo Samora, proprietário de uma livraria no setor central de Uberlândia, a procura pelas obras ainda está longe da ideal – oito livros por ano para cada brasileiro – mas a literatura infantojuvenil fez surgir um comportamento inédito entre os clientes. “Hoje, percebo que muitos pais levam os filhos para a livraria, especialmente, nos sábados, e deixam as crianças ou os adolescentes escolherem as obras na seção infantojuvenil. Outro ponto positivo é que os brasileiros têm comprado mais livros para presentear familiares e amigos”, disse Samora.

 

 
Ideal seria ler 8 livros no ano

De acordo com o diretor do Ibope Inteligência, Hélio Gastaldi, em entrevista à Agência Brasil na época da publicação da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a diminuição de leitores foi ocasionada pelo aumento da expectativa de vida e a redução da concentração de brasileiros em idade escolar.

Karine Pansa, presidente do Instituto Pró-Livro, que faz a pesquisa com o Ibope a cada quatro anos, disse que o Brasil vai demorar a alcançar níveis de leitura dos países europeus, cuja população lê, em média, oito livros por ano. Para a presidente do instituto, se os professores incentivam a leitura, os alunos são influenciados positivamente e passam a cultivar o hábito.

 

 
Contato com novas tecnologias é visto com otimismo para a literatura infantojuvenil

A crescente ascensão dos tablets é vista com otimismo pela pesquisa do Ibope e do Instituto Pró-Livro (IPL). De acordo com os entrevistados que têm contato com a leitura em e-books, os chamados livros digitais, 54% gostam muito do hábito, 40% gostam pouco e apenas 6% disseram que não gostaram da experiência. Além disso, 48% do total de entrevistados responderam que podem vir a usufruir da tecnologia de livros digitais.

Sobre a moderna batalha entre os livros digitais e impressos, a pesquisa do IPL mostra que a maioria (52%) acredita que os livros impressos nunca vão acabar. Para 17% dos entrevistados, os impressos continuarão, mas em edições menores.

 

 
Escola

O contato das crianças brasileiras com novas tecnologias, como tablets, e-books e smartphones, não inibe o crescimento do mercado dos livros infantojuvenis impressos. Essa foi a constatação do 15º Salão do Livro Infantil e Juvenil, que reuniu 71 editoras no Rio de Janeiro , em junho. Atualmente, pouco mais de 120 editoras brasileiras publicam obras para crianças e jovens brasileiros, que têm acesso a 30 mil títulos em português. Na avaliação da secretária-geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Elizabeth Serra, na abertura do 15º Salão, o livro em papel continuará a ocupar um espaço considerável, pois as escolas públicas brasileiras têm livros de literatura e professores preocupados com a formação leitora dos alunos.

 

 

Publicado originalmente por Pablo Pacheco no Correio de Uberlândia

 

 

Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostra que livros ficam em segundo plano
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