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Não muito tempo atrás, um aspirante a escritor de livros rejeitado por editoras tradicionais tinha apenas uma alternativa: bancar a própria publicação. Por cinco mil ou 10 mil dólares, às vezes muito mais, ele conseguiria que seu manuscrito fosse editado e publicado, desde que concordasse em comprar muitas cópias, geralmente pelo menos alguns milhares. Os livros normalmente acabavam na garagem.

A tecnologia digital mudou tudo isso. Um escritor recusado por editoras tradicionais – ou mesmo que esteja evitando trabalhar com elas – agora tem uma série de opções. Entre elas, a autopublicação de um manuscrito em formato de e-book; a autopublicação por meio de empresas que imprimem sob demanda, dentro de um esquema em que um livro em brochura ou capa dura são impressos a cada vez que são comprados; e a compra de uma variedade de serviços, desde a edição e o design até o marketing e a publicidade, junto a empresas de autopublicação assistida.

“De muitas maneiras, lembra uma espécie de Velho Oeste – as pessoas inovadoras podem fazer coisas extraordinárias”, disse Mark Levine, cujo próprio livro autopublicado, “The Fine Print of Self-Publishing” (“A autopublicação trocada em miúdos”, em tradução livre), já está em sua quarta edição.

A publicação digital e impressão sob demanda reduziram significativamente o custo de produção de livros. O crescimento fenomenal de e-readers e tablets expandiu enormemente o mercado de e-books, que podem ser autopublicados com pouco ou nenhum custo. Os escritores que se autopublicam tendem a controlar melhor os direitos de seus livros, a definir o preço de venda das edições e a receber uma porcentagem maior pelas vendas.

Entretanto, uma coisa não mudou: a maioria dos livros autopublicados vendem menos de 100 ou 150 cópias, segundo muitos autores e executivos de empresas de autopublicação. Há sucessos que fogem ao padrão, com certeza, e alguns escritores podem ganhar dinheiro simplesmente vendendo seus e-books a preços baixos. Alguns livros autopublicados atraem tanta atenção que uma editora tradicional, eventualmente, pode comprar os seus direitos. (Talvez você já tenha ouvido falar do romance “Cinquenta Tons de Cinza”, que começou como uma obra autopublicada.)

Ainda assim, uma grande maioria dos livros autopublicados “não vendem muitas cópias”, disse Mark Coker, fundador e executivo-chefe da Smashwords, um serviço simples e direto que se concentra em e-books autopublicados. “Deixamos isso claro para nossos autores”.

Algumas pessoas não têm problema com isso; elas querem apenas imprimir 50 ou 100 cópias de uma biografia ou um histórico familiar a um custo relativamente baixo. Mas outras continuam sonhando alto.

Existem dois tipos básicos de empresas de autopublicação, ambas baseadas na Web:

 

Autopublicação assistida

Essas empresas se concentram principalmente na produção de livros em brochura e capa dura. Elas oferecem muitos serviços, separadamente e em pacotes, incluindo diagramação, edição de texto, revisão, marketing, relações públicas, promoção em redes sociais e até mesmo estratégias de otimização que levem os sistemas de busca a um livro específico.

Com a ascensão dos e-books, praticamente todos os escritores autopublicados também fazem edições digitais, e muitos mantêm suas próprias livrarias na Internet.

No Lulu, por exemplo, você não precisa paga nada adiantado. Cada vez que um livro impresso é vendido, você recebe 80 por cento dos rendimentos, além do custo de fabricação do livro. Por 450 dólares, o Lulu oferece um pacote de edição de livros que tenham mais do 7500 palavras (isto é, a maioria dos livros). O Lulu disponibiliza um designer para criar uma capa de livro por 130 dólares, e fornece uma série de serviços, como design, edição e formatação, a partir de 729 dólares, chegando até a 4.949 dólares.

No CreateSpace, uma divisão da Amazon, o processo de produção de um livro impresso é semelhante. Você entra no site, inscreve-se em uma conta e segue os passos para preparar um livro impresso para publicação. Se o seu livro for vendido via Amazon, você recebe 60 por cento dos rendimentos, menos o custo de impressão. Os serviços opcionais incluem a revisão do texto, que começa em 120 dólares, e a conversão de um arquivo de impressão em um e-book para Kindle, por 69 dólares.

Meia dúzia de pacotes, sendo que o mais caro deles custa 4.853 dólares, prestam serviços como a edição completa, o design da capa e do miolo do livro, a divulgação e a assessoria de imprensa, além da produção de um vídeo para promover o lançamento.

Serviços relativamente semelhantes podem ser encontrados em muitos outros sites, incluindo Aventine Press; Self Publishing Inc.; Hillcrest Media; e iUniverse, Xlibris e AuthorHouse, que estão entre as marcas de propriedade da Author Solutions, uma empresa comprada em julho pela tradicional editora Penguin por 116 milhões de dólares.

Não deixe de comparar cuidadosamente os preços, uma vez que podem variar consideravelmente, especialmente no que diz respeito à impressão e à porcentagem paga por venda.

 

E-books e sites simples e diretos

O Smashwords é um dos sites de baixo custo que publicam apenas e-books. Tal como acontece com sites semelhantes, você pode publicar um livro digital gratuito e, em seguida, colocá-lo à venda em muitos varejistas online, incluindo a loja do Smashwords, a iBookstore da Apple, a Barnes & Noble, a Kobo e a Sony.

Os rendimentos são divididos da seguinte maneira: você recebe 60 por cento do preço pelo qual o livro é vendido, o Smashwords recebe 10 por cento e o varejista recebe 30 por cento. (Se você vender no Smashwords e não em um varejista de grande porte, você recebe 85 por cento). Coker, o fundador do site, disse que não oferece nenhum serviço porque pretende incentivar a produção totalmente independente de e-books. O site, portanto, oferece listas de fornecedores independentes de baixo custo que podem ajudar com a formatação de um e-book, assim como com o design da capa.

O Scribd começou como um site de compartilhamento, onde as pessoas distribuíam gratuitamente escritos de todos os tipos. Agora, o site tem uma loja online, na qual você pode seguir as instruções para publicar um manuscrito em forma de e-book; quando ele é comprado na loja da Scribd, você recebe 80 por cento dos rendimentos.

Apple, Barnes & Noble e Kobo também fornecem plataformas para publicar e-books e vendê-los em suas lojas. Os detalhes variam. A Apple, por exemplo, dá ao autor 70 por cento das receitas de vendas efetuadas pela sua iBookstore; a Barnes & Noble fornece 65 por cento do valor de uma lista de preços que varia entre 2,99 a 9,99 dólares por livro vendido em sua loja online. Embora o Google não tenha uma plataforma específica de autopublicação, sua loja está aberta para editores de autopublicação, direcionando 52 por cento dos rendimentos para os escritores.

Geralmente, embora nem sempre, é possível colocar um e-book à venda em muitas lojas online, não apenas em uma única, de propriedade da empresa através da qual você publicou o e-book.

Alguns editores de autopublicação recomendam bastante investir algum dinheiro para ter ajuda tanto com a formatação tanto de livros impressos quanto de e-books; esse processo pode ser complicado, demorado e frustrante para quem decidir levá-lo adiante sozinho, embora não impossível, se você for paciente e versado em tecnologia.

Eles também dizem que você precisa estudar cuidadosamente os detalhes dos contratos de cada empresa; algumas cobram taxas muito elevadas para imprimir livros de capa dura e brochura, oferecem uma menor participação nas vendas ou fazem com que seja muito difícil e extremamente caro deixar de trabalhar com elas se você ficar insatisfeito.

“Os compradores têm mesmo que fica ligados”, disse Ron Pramschufer, presidente da Self Publishing Inc. “Não entre no mercado editorial antes de aprender algo a respeito de editoração”.

Uma série de blogs e livros sobre autopublicação podem ajudar a compreender muitas complexidades desse mercado e a distinguir empresas transparentes, bem administradas, daquelas que se beneficiam muito mais do que seus autores.

A parte mais difícil da autopublicação é chamar atenção para o livro. Cerca de 350 mil livros físicos novos foram publicados em 2011, e entre 150 mil a 200 mil deles foram produzidos por empresas de autopublicação, disse Kelly Gallagher, vice-presidente da empresa Bowker Market Research, que realiza uma pesquisa anual sobre novos livros.

A qualidade dos livros autopublicados varia muito, “e as pessoas não sabem o que é bom e o que não é”, disse David Carnoy, editor-executivo da CNET.com, que publica notícias e análises de novas tecnologias.

Carnoy autopublicou um romance, “Knife Music” (“Música Afiada”, em tradução livre), em 2008. Ele vendeu cópias suficientes para que uma editora tradicional viesse a adquirir a obra. Seguem algumas sugestões dele para que você venda o seu livro: elabore uma campanha de marketing criativa; experimente uma nova tática por dia; e estude as estratégias utilizadas por autoeditores e imite-as.

“O principal fator contra o qual você tem que lutar para vender o seu livro é o fato das pessoas não o conhecerem”, disse ele.

 

Fonte: The New York Times | r7

 

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