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O ano de 2013 terminou com Amazon e Apple disputando o primeiro lugar no mercado de livros digitais, seguidos por Google e Saraiva disputando a terceira posição. A grosso modo, uma estimativa aproximada mostraria o seguinte market share nacional:

  • Amazon: 30%
  • Apple: 30%
  • Saraiva: 15%
  • Google: 15%
  • Kobo: 5%
  • Outros: 5%

A explicação para o sucesso de Apple e Google é a forte base de tablets e smartphones com sistemas iOS ou Android instalados no Brasil, o que facilitou a venda de e-books nestes ambientes – muitas vezes para clientes que já compravam outros produtos nas lojas da Apple e Google.

Passados quase oito meses de 2014, no entanto, percebe-se um crescimento da Saraiva e da Amazon. A loja brasileira investiu em seu e-commerce e nos aplicativos de leitura para Android e iOS, o que levou a um aumento das vendas. Já a Amazon continuou crescendo organicamente, aumentando tanto seu catálogo tradicional como o de livros auto-publicados, e ainda investiu fortes em ações demerchandising. Google e Apple, portanto, perderam fatias de mercado, o que é absolutamente natural já que ambas as empresas não focam livros. A Google quer aumentar seu faturamento de publicidade e a Apple, como bem já colocou o editor pernambucano Julio Silveira, está mais interessada em vender coisas que brilham. Vale também lembrar que a IBA, a e-bookstore mais forte entre as classificadas como “Outros” e propriedade da toda-poderosa Abril, está encerrando suas operações.

Atualmente, portanto, o mercado provavelmente apresenta um market share como este a seguir, com uma margem de erro (enorme) de 5%:

  • Amazon: 38%
  • Apple: 25%
  • Saraiva: 20%
  • Google: 10%
  • Kobo: 5%
  • Outros: 2%

Mais importante do que se prender nos números é  enfocar o ranking em si, já que estes números não passam de guesstimates ou, em bom português, chutes estimados. De qualquer forma, não há dúvida que a Amazon assumiu a dianteira e que a Saraiva conquistou a terceira colocação.

E neste mês de agosto, tivemos novidades. Dois lançamentos importantes aconteceram no mercado de livros. A Saraiva lançou seu leitor digital dedicado, o LEV, entrando para o clube das e-bookstores com devices próprios. E a Amazon lançou sua loja de livros físicos. Ou seja, em movimentos curiosamente contrários, a Saraiva entrou de vez na briga do mercado de e-books, enquanto a Amazon estreou na venda de livros físicos.

Embora o potencial do mercado brasileiro de leitores dedicados não seja tão grandeem minha opinião, a chegada do LEV representa muito mais que um gadgetexclusivo para a Saraiva. Na verdade, o lançamento do LEV – feito com maestria pela equipe saraivana liderada por Deric Guilhen – representou toda uma nova postura da empresa em relação ao digital. A Saraiva agora usa sua rede de 114 lojas espalhadas pelo Brasil para promover sua plataforma de livros digitais, conseguiu encantar seus próprios funcionários com um endomarketing bem bolado que envelopou de portas de elevadores a cadeiras de reunião em sua sede paulistana, e ainda convenceu o mercado de que ela está levando o livro digital a sério e que não está para brincadeira. E tudo isso não seria possível sem um marco e sem um símbolo. Daí a importância do LEV. O aparelho da Saraiva é a materialização da estratégia digital da empresa e, ainda que o LEV venda pouco, ele fará toda a diferença.

Já a Amazon, que prometeu a abertura de sua loja de livros físicos para o dia 21 de agosto, passará a ter muito mais tráfego em sua loja. Se antes apenas leitores já convertidos ao digital e consumidores de apps para Android frequentavam suas prateleiras virtuais, agora qualquer leitor de livros estará por lá. Com isso, um público muito maior ficará exposto à plataforma e ao leitor Kindle, com uma conversão não desprezível de leitores de livros físicos em leitores de livros digitais. Vale lembrar que a Amazon mostrará a opção de compra da edição digital nas páginas dos livros físicos. E além disso, oferece 13 mil títulos no seu programa Leia Enquanto Enviamos, onde o consumidor recebe os primeiros trechos do livro em formato digital para iniciar sua leitura enquanto o livro físico não chega. Quantos leitores não responderão ao canto da sereia amazônica de preços menores e acesso mais prático ao conteúdo que os livros do Kindle oferecem?

Considerando as últimas novidades de Amazon e Saraiva, é natural estimar que as duas empresas serão as grandes concorrentes do mercado brasileiro de e-books no fechamento de 2014. A Saraiva seguramente passará a Apple – que continua vendendo em dólar, com IOF – e alcançará a segunda posição. Somadas, as empresas que hoje já possuem cerca de 60% do mercado devem chegar a  80%, obrigando Apple, Google e Kobo a se dilacerarem pelos 20% que sobram. É esperar para ver – de preferência, lendo um e-book.

 

Publicado originalmente por Carlo Carrenho no Tipos Digitais

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