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Scribd e Oyster assinam parcerias com grandes editoras e usam acervo compartilhado por usuários para criar opções de streaming que facilitam a experiência do livro digital ao permitir acesso em dispositivos diferentes sem perder a página

 

SÃO PAULO – Depois de guardar documentos, ouvir música e assistir a filmes por streaming, sem precisar armazenar o conteúdo no computador, chegou a hora dos livros. É esse o conceito por trás dos serviços oferecidos por empresas como Scribd e Oyster.

Chamado de “Netflix dos livros” pela revista Wired, o Scribd lançou seu streaming de livros há cerca de um mês. Por US$ 9 mensais, o usuário ganha acesso ilimitado a um acervo de 40 milhões de títulos, que tem clássicos, publicações independentes, e, recentemente, recebeu o reforço do catálogo de uma editora bastante tradicional nos EUA, a Harper Collins. “Queremos ser parceiros de outras grandes em breve.”, explica Trip Adler, CEO do Scribd, em entrevista ao Link.

Disponível no mundo todo, o sistema se destaca por ser multiplataforma. O usuário pode começar a ler no computador e, ao sair de casa, continuar no celular. Dois poréns: a maior parte do acervo (e a mais saborosa) está em inglês. E, assim como acontece com os filmes no Netflix, não espere achar por lá novidades como O Chamado do Cuco, de J.K. Rowling. O catálogo, embora amplo, tem muitas lacunas uma vez que o Scribd ainda não tem acordos com a maior parte das grandes editoras.

Em um mês de serviço, o livro mais lido no mundo no Scribd é brasileiro: O Alquimista, de Paulo Coelho, em sua versão em inglês. No Brasil, porém, o posto pertence a The Vampire Diaries: The Awakening.
O Oyster conta com cerca de 100 mil livros em seu acervo, também é parceiro da Harper Collins e custa US$ 9,95 por mês, mas está disponível só nos EUA e para iOS. O serviço tem como diferencial o engajamento social, permitindo dar e receber dicas de leitura dos amigos.

Pagando a conta. O streaming de livros parece interessante porque custa aproximadamente o preço de dois e-books, mas oferece aos usuários um número maior de leituras. Mas como esse sistema pode dar lucro?

“Pagamos às editoras quando os usuários leem uma parte considerável da publicação. Quando o livro é lido por inteiro, elas recebem o valor integral de um e-book”, diz Adler.

Dessa maneira, apenas poucos usuários custam ao sistema mais que US$ 8,99 por mês. “O serviço se paga de uma forma mais simples do que parece”, explica o CEO, uma vez que a maior parte dos acessos corresponde a folheadas e consultas rápidas dos usuários – em média, os usuários folheiam 4,5 livros para cada volume lido até o final.

Para o empresário, “o Scribd faz os leitores se sentirem numa biblioteca, como se ler um livro atraísse a leitura de um próximo”, sendo vantajoso para escritores e editoras. Paulo Coelho, por exemplo, já twittou sobre o serviço, dizendo leu vários livros pelo Scribd.

Nem todos pensam assim. Duda Ernanny, que criou a Xeriph, distribuidora brasileira de livros digitais, acha o modelo pouco viável. “Se todos puderem ler os títulos ao mesmo tempo, livrarias e editoras podem acabar, e são elas que sustentam o mercado. Além disso, um serviço desses teria de pagar um absurdo em direitos autorais para tornar disponível um acervo desse tamanho.”

Para Sonia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, “é um modelo bom para livros técnico-científicos, combatendo a cultura da cópia que reina hoje nas universidades”. Mas, para ela, “deveria existir um limite de títulos que podem ser acessados ao mesmo tempo. Senão, os autores receberão muito pouco”, diz.

Próxima página. O Scribd existe desde 2006 como uma plataforma de livros e textos muito popular entre universitários. Para o novo projeto, o empresário busca parcerias com editoras, dentro e fora dos EUA.

“O Brasil é importante para nós em termos de tráfego. Queremos logo chegar aí, com textos em português e mais autores brasileiros”, diz Adler.

Hoje, muitos dos livros em português no acervo do Scribd são colocados de maneira ilegal pelos usuários. “Levamos o direito autoral a sério. Nosso negócio só funciona se as editoras ganham, e livros ‘piratas’ não fazem parte disso”, responde o empresário. “Toda vez que retiramos um livro por estar ilegal, contatamos a editora para tê-lo no nosso acervo, porque há interesse do público.”

 

Publicado originalmente por Bruno Capelas no blog do Estadão

Serviços querem ser ‘Netflix dos livros’
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