Em novembro Norma Lima lançará seu 1º livro A modernidade de Penélope, de forma independente, através da Publiki.

Conheça um pouco mais sobre essa carioca, apaixonada por literatura e que resolveu contar um pouco da história da sua própria vida em forma de poesia.

Publiki – Norma, você tem uma relação profunda com a literatura. Qual a sua formação?
Norma Lima – Sou formada em Letras (Português-Literaturas) pela Uerj, depois fiz Mestrado na mesma Uerj, onde defendi a dissertação Patrícia Galvão (Pagu): a crônica e o romance, em 1993. No ano seguinte, passei para o Doutorado em Literatura Comparada da UFF, defendendo, depois, a tese Claridade revista: relações poéticas e étnicas entre Brasil e Cabo Verde (2000).

Onde você nasceu?
No bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro, na Clínica Dr. Aloan que eu jurava ser a Clínica Doutora Aloan… durante um tempão ficava toda prosa por ter nascido em um hospital como nome de mulher. Tudo engano fonético…

Como você descobriu a leitura?
Primeiro com meu pai, que sempre me estimulou a ler, a estudar… depois com alguns professores, como a Sheila, na quinta série, que me apresentou a série Inspetora e O caso da mula sem cabeça, de Santos de Oliveira.

Existem outros escritores na sua família?
Que eu saiba, não… houve compositores da MPB, como meu tio Nilo Chagas, do festejado Trio de Ouro (com Dalva de Oliveira e Herivelto Martins).

Você lembra do primeiro livro que leu?
Deve ter sido algum romance condensado da Seleções do Reader’s Digest, que meu pai adorava, lia e me passava…

Que livro era?
Acho que foi a biografia de Auguste Rodin, Eu vim nu.

Como ele te marcou?
O primeiro livro que me marcou não foi o primeiro que eu li, porque eu não tinha idade para entender bem a biografia do Rodin, devia ter uns 9 anos quando li… então, o que me marcou mesmo foi a leitura indicada pela escola, para a minha faixa de idade, o já citado livro O caso da mula sem cabeça, que li com 11 anos e adorei pelo humor e pela leveza. Tenho ele até hoje.

Com quantos anos você começou a escrever?
Desde criança, acho que com uns 8 já escrevia… gostava de mudar os diálogos das histórias em quadrinhos que eu tinha e das fotonovelas da minha irmã (que é seis anos mais velha do que eu), escrevia tudo diferente, outra história, outros nomes para aqueles personagens, colocava trilha musical …

O que a inspirou a escrever um livro de poesias?
Penso que posso considerar A modernidade de Penélope uma história. Mesmo sendo um livro de poesias. Não há mais estas divisões de gêneros na época contemporânea, eles se misturam. Posso entender Penélope como uma personagem tecedora e destecedora de versos, mas através de uma leitura moderna.

A ideia central do livro é resultado do meu interesse e pesquisa das grandes mulheres autoras do Brasil. Mulheres pioneiras, que fizeram a diferença, como Pagu, Rita Lee e outras. Penélope é um mito literário forte com o qual eu quis dialogar.

Do que se trata, então, a história contada em forma de poesia?
Peguei o mito clássico da esposa de Ulisses, da Odisseia, que o espera fielmente retornar por mais de 20 anos e o reli modernamente… Não sei se hoje teríamos muitas Penélopes, fiéis, tecendo tapetes e os destecendo esperando pacientemente pelo amado. Fiz uma pesquisa das imagens dela, sempre está sentada ou sem cabeça.

Por que as pessoas devem ler o que você escreveu em a modernidade de Penélope?
Porque a poesia é necessária em nossa vida. Como disse Ferreira Gullar, escrever poesia é querer se livrar da emoção, passá-la para o outro. Para o leitor que exercita a sua sensibilidade (que consegue essa proeza, mesmo no nosso dia a dia competitivo e duro), que não a perdeu ou que quer que ela refloresça, penso ter muita emoção ali.

O que tem de você nos personagens?
Alguns poemas são autobiográficos. Mais não conto.

O que dizem sobre suas poesias, as pessoas que já leram?
Esse livro venho escrevendo há uns 25 anos no mínimo. São poesias de várias fases, algumas pessoas já leram um poema ou outro, mas não o conjunto deles. Ele é inédito em termos de leitura contextualizada como está no livro, organizado, inclusive, em dois momentos: Penélope tece e destece. Os que já leram, um ou outro, nessas quase três décadas, elogiaram, inclusive em comentários no meu site, onde publiquei alguns na parte de Textos: www.normallima.com

Qual a sua expectativa para o lançamento do livro?
Eu nunca tive muita pressa para publicar nada. Sou exigente, portanto, publicar um livro é ficar entre o paraíso e o inferno, tem que ser algo muito cuidado, depois de pronto, não dá mais pra mexer. Acho estranho pessoas que publicam um atrás do outro. Minha expectativa é que ele circule o máximo possível por aí, porque no fundo, quem dará sentido ao que escrevi será o leitor. Eu sempre quis inaugurar minhas publicações com um livro literário e sabia que seria assim.

Que recado você gostaria de enviar para os leitores?
Recebam as flores em formas de versos, que vos dou.

E para quem quer ser um escritor, o que você diria?
Dedique-se e não desanime.