Durante mais de duas décadas, a lógica da aquisição orgânica na internet foi relativamente simples: uma pessoa tinha uma necessidade, pesquisava no Google, encontrava uma lista de resultados e clicava em um site.
Essa lógica está mudando!
O Google continua gigantesco. A empresa informa que recebe mais de 5 trilhões de pesquisas por ano, o equivalente a aproximadamente 13,7 bilhões de pesquisas por dia. Mais de 2 bilhões de pessoas utilizam o Google Search diariamente.
Ao mesmo tempo, porém, uma nova camada de descoberta está crescendo rapidamente: as inteligências artificiais generativas.
O ChatGPT, por exemplo, já processava mais de 2,5 bilhões de mensagens por dia (julho de 2025), segundo dados divulgados pela própria OpenAI.
E isso não significa simplesmente que as pessoas estão trocando o Google pelo ChatGPT.
O que está acontecendo é mais interessante.
Neste artigo
ToggleA maneira como as pessoas descobrem empresas, produtos, serviços e especialistas está mudando.
Em vez de perguntar ao Google:
o usuário pode perguntar a uma IA:
“Quais são as melhores agências de lançamento de infoprodutos do Brasil para um especialista que quer criar e escalar um produto digital?”
A primeira experiência produz uma página de resultados.
A segunda pode produzir uma recomendação.
Essa diferença é enorme para empresas que dependem de aquisição orgânica.
O Google não está necessariamente perdendo pesquisas
Antes de concluir que “o Google está morrendo”, é preciso corrigir uma interpretação bastante comum.
Os dados disponíveis não sustentam essa afirmação.
O Google continua processando mais de 5 trilhões de pesquisas por ano e afirma que suas funcionalidades de inteligência artificial estão, inclusive, aumentando o uso da busca para determinadas categorias de consultas. Nos EUA e na Índia, o Google informou em 2025 que as AI Overviews estavam associadas a um aumento superior a 10% no uso do Google para os tipos de consultas em que aparecem.
Portanto, o problema não é simplesmente:
“As pessoas pararam de pesquisar no Google.”
O fenômeno mais importante é:
“A pesquisa deixou de significar necessariamente uma visita a um site.”
Essa distinção muda completamente a estratégia de SEO.
O problema do SEO tradicional: mais pesquisas não significam necessariamente mais cliques
Durante muito tempo, a métrica mais importante para uma estratégia de SEO era relativamente óbvia:
posição → impressão → clique → visita → lead.
A empresa queria aparecer entre os primeiros resultados do Google porque isso aumentava a probabilidade de receber visitantes.
Mas o Google passou a responder diretamente uma parcela cada vez maior das perguntas.
As AI Overviews são o exemplo mais evidente.
Em julho de 2025, o Google informou que as AI Overviews já alcançavam 2 bilhões de usuários por mês, contra 1,5 bilhão apenas dois meses antes. O Google também informou que o AI Mode já tinha mais de 100 milhões de usuários mensais nos EUA e na Índia.
Isso cria uma nova situação:
o usuário pode receber informação suficiente para continuar sua jornada sem necessariamente clicar no primeiro resultado orgânico.
Uma pesquisa acadêmica publicada em agosto de 2026 analisou o comportamento de usuários diante das AI Overviews e encontrou um dado particularmente importante: os cliques para as fontes citadas nas respostas ocorreram em aproximadamente 1% das visitas às páginas que apresentavam AI Overviews. O estudo também encontrou associação entre AI Overviews, menos cliques e maior frequência de encerramento da sessão de navegação.
Isso não significa que todos os resultados orgânicos perderam 99% dos cliques.
Seria uma conclusão incorreta.
Significa que, quando uma resposta gerada por IA satisfaz a necessidade do usuário dentro da própria página de resultados, a necessidade de clicar pode diminuir drasticamente.
E esse é um dos principais motivos pelos quais uma empresa pode perceber queda de tráfego ou de leads vindos do Google mesmo continuando bem posicionada.
A nova jornada do consumidor
A jornada tradicional era:
Google → resultado → site → conteúdo → conversão
A jornada atual pode ser:
Google → AI Overview → comparação → marca → site → conversão
Ou:
ChatGPT → recomendação → site → conversão
Ou ainda:
Gemini → pesquisa → comparação → empresa
Ou:
Perplexity → resposta com fontes → site
Ou:
ChatGPT → conversa → recomendação de fornecedor → site
Isso significa que o site deixou de ser necessariamente o primeiro ponto de contato.
Em alguns casos, ele passa a ser o ponto de validação.
E essa mudança é fundamental.
As IAs já estão enviando tráfego para empresas?
Sim.
E existem dados concretos mostrando esse crescimento.
A Adobe analisou dados de tráfego provenientes de fontes de inteligência artificial generativa e encontrou um crescimento muito expressivo.
Entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, o tráfego de referências provenientes de IA generativa para sites nos Estados Unidos aumentou mais de 10 vezes. No varejo, o crescimento foi ainda maior: o tráfego proveniente de IA aumentou 12 vezes entre julho de 2024 e fevereiro de 2025.
Outro levantamento da Adobe mostrou que, em fevereiro de 2025, o tráfego de fontes de IA para sites de varejo nos EUA estava 1.200% acima de julho de 2024.
Mas o dado mais interessante não é apenas o crescimento do volume.
É a qualidade desse tráfego.
Em fevereiro de 2025, segundo a Adobe, visitantes provenientes de IA para sites de varejo apresentavam:
- 23% menos taxa de rejeição
- 41% mais tempo no site
- 12% mais páginas visualizadas
- apenas 9% menos conversões do que visitantes provenientes de outras fontes
A diferença de conversão havia sido de 43% em julho de 2024.
Ou seja:
o tráfego de IA estava crescendo rapidamente enquanto a diferença de qualidade em relação ao tráfego tradicional diminuía.
O fenômeno ficou ainda mais forte em 2025
Os dados publicados pela Adobe no segundo trimestre de 2025 mostram que a tendência continuou.
No varejo, o tráfego proveniente de IA dobrou entre fevereiro e maio de 2025 e estava 35 vezes acima do nível observado em julho de 2024.
Em maio de 2025, os visitantes provenientes de IA apresentavam:
27% menos rejeição
38% mais tempo por visita
10% mais páginas por visita
E a diferença de conversão, que havia chegado a 91% em julho de 2024, caiu para apenas 22% em maio de 2025.
Na área de tecnologia e software, o tráfego proveniente de IA estava 13 vezes maior em maio de 2025 do que em julho de 2024.
Isso é importante porque mostra que não estamos falando apenas de pessoas conversando com robôs.
Estamos falando de novos caminhos de aquisição de tráfego e potenciais clientes.
Mas existe uma contradição importante
Aqui está um ponto que muitas empresas estão ignorando.
O tráfego de IA está crescendo muito, mas isso não significa que ele já substituiu o Google.
Ainda não.
O Google possui uma escala incomparavelmente maior.
Mais de 5 trilhões de pesquisas anuais representam aproximadamente 13,7 bilhões de consultas por dia.
O ChatGPT, por sua vez, registrava mais de 2,5 bilhões de mensagens por dia em julho de 2025.
Mas existe uma diferença importante entre esses números.
Uma mensagem no ChatGPT não equivale necessariamente a uma pesquisa comercial no Google.
Uma pessoa pode passar vários minutos conversando com a IA sobre um assunto sem jamais demonstrar intenção de compra.
Portanto, comparar simplesmente:
13,7 bilhões de pesquisas Google
contra
2,5 bilhões de mensagens ChatGPT
e concluir que “a IA está quase alcançando o Google” seria uma análise superficial.
O que importa para uma empresa não é apenas o volume bruto.
É:
quantas pessoas estão procurando uma solução que a empresa oferece e qual plataforma influencia a decisão dessas pessoas.
O que está mudando de verdade é a função da busca
O Google tradicionalmente funcionava como um grande índice.
Você fazia uma pergunta.
O Google encontrava páginas.
Você escolhia uma página.
A IA funciona de maneira diferente.
Ela pode:
- interpretar a intenção;
- reunir informações;
- comparar alternativas;
- sintetizar argumentos;
- apresentar critérios;
- recomendar empresas;
- responder objeções;
- sugerir próximos passos.
Isso transforma a IA de um simples mecanismo de busca em um intermediário da decisão.
E essa talvez seja a maior mudança do marketing digital desde a popularização dos mecanismos de busca.
SEO continua importante, mas não é mais suficiente
É aqui que entra o GEO.
GEO significa Generative Engine Optimization, ou Otimização para Mecanismos Generativos.
Enquanto o SEO tradicional busca aumentar a probabilidade de uma página aparecer nos resultados de mecanismos de busca, o GEO busca aumentar a probabilidade de uma marca, empresa, produto ou especialista ser compreendido, considerado, citado e recomendado por sistemas de inteligência artificial.
A diferença parece pequena.
Na prática, é enorme.
No SEO tradicional, uma empresa pergunta:
“Como faço para ficar em primeiro lugar no Google?”
No GEO, a pergunta passa a ser:
“Quando alguém perguntar à IA quem deveria contratar, comprar ou considerar, minha empresa estará entre as opções?”
Essa segunda pergunta é muito mais próxima da decisão comercial.

A IA não recomenda empresas simplesmente porque elas fizeram SEO
Esse é um dos maiores equívocos sobre GEO.
Não existe uma fórmula conhecida do tipo:
mais palavras-chave = mais recomendações da IA.
Também não existe uma “posição 1 do ChatGPT” equivalente ao ranking tradicional do Google.
Modelos generativos trabalham com múltiplos sinais e fontes.
A empresa precisa ser compreensível.
Precisa possuir informações consistentes.
Precisa ter autoridade.
Precisa aparecer em fontes externas relevantes.
Precisa ser associada corretamente às categorias em que atua.
Precisa produzir conteúdo que responda às perguntas que os usuários fazem.
E precisa apresentar informações que possam ser interpretadas pelas máquinas.
Por isso, GEO não deve ser tratado como uma simples adaptação de palavras-chave.
Aqui no site da Publiki temos uma ferramenta que mede o quanto o seu site é capaz de ser citado e recomendado por uma IA. Faça o teste gratuito e análise do GEO do seu site.
A autoridade da marca passa a ser ainda mais importante
Imagine duas empresas.
A primeira possui um site tecnicamente excelente, mas praticamente ninguém fala sobre ela.
A segunda possui um site excelente e também aparece em:
- matérias jornalísticas;
- entrevistas;
- estudos;
- associações profissionais;
- sites especializados;
- avaliações;
- podcasts;
- publicações independentes;
- comparativos;
- artigos de terceiros;
- referências institucionais.
Para uma inteligência artificial tentando responder:
“Quais são as empresas mais relevantes desse mercado?”
a segunda possui um ecossistema de evidências muito maior.
Isso é extremamente importante.
O futuro do SEO não é apenas otimizar páginas.
É construir uma entidade reconhecível na web.
O novo conceito: presença digital distribuída
Durante anos, muitas empresas concentraram toda sua estratégia no próprio domínio.
Criavam artigos.
Otimizavam títulos.
Construíam backlinks.
Melhoravam velocidade.
Trabalhavam palavras-chave.
Isso continua tendo valor.
Mas existe uma camada adicional.
A empresa precisa existir de maneira coerente em diferentes lugares da internet.
Quando uma IA pesquisa uma empresa, sua compreensão não necessariamente depende de uma única página.
Ela pode encontrar informações em diferentes fontes.
Por isso, uma estratégia de GEO precisa trabalhar a presença digital como um ecossistema de evidências.
O site é uma dessas evidências.
Não é necessariamente a única.
O que uma IA precisa entender sobre uma empresa?
Uma estratégia de GEO deveria responder claramente perguntas como:
Quem é a empresa?
O que ela faz?
Para quem ela faz?
Em quais mercados atua?
Quais problemas resolve?
Quais produtos ou serviços oferece?
Quais são seus diferenciais?
Quais resultados possui?
Quem são seus especialistas?
Quais clientes já atendeu?
Quais fontes independentes mencionam a empresa?
Em quais categorias ela deve ser considerada?
Quando alguém deveria escolher essa empresa em vez de um concorrente?
Se o site não responde essas perguntas claramente, não basta ter uma excelente nota técnica de SEO.
A máquina pode simplesmente não compreender corretamente a entidade.
O conteúdo também mudou de função
Um artigo não deveria existir apenas para “pegar uma palavra-chave”.
Essa mentalidade está ficando velha.
Um bom conteúdo para a era da IA precisa ser útil para três públicos simultaneamente:
o usuário
o mecanismo de busca
o mecanismo generativo
Isso significa produzir conteúdos que sejam:
- claros;
- factuais;
- específicos;
- verificáveis;
- estruturados;
- aprofundados;
- contextualizados;
- atualizados;
- semanticamente ricos.
Uma página que responde diretamente às principais dúvidas do consumidor pode ser muito mais valiosa do que um texto produzido apenas para repetir determinada palavra-chave.
As perguntas estão ficando mais complexas
O próprio Google reconhece essa transformação.
O Google informou que as consultas feitas no AI Mode são, em média, duas vezes mais longas que as consultas tradicionais.
Isso revela uma mudança comportamental importante.
O usuário está deixando de fazer somente pesquisas fragmentadas.
Em vez de:
“agência de SEO”
pode perguntar:
“Qual agência de SEO no Brasil seria mais adequada para uma empresa B2B que já possui tráfego orgânico, mas quer aumentar sua presença nas respostas de inteligência artificial?”
Essa pergunta contém contexto, intenção, critérios e problema.
E é exatamente esse tipo de consulta que torna a IA particularmente poderosa.
O verdadeiro ativo passa a ser a capacidade de ser recomendado
Existe uma diferença fundamental entre:
ser encontrado
e
ser recomendado.
No Google, uma empresa pode aparecer porque sua página corresponde a uma determinada consulta.
Em uma resposta generativa, a empresa pode aparecer porque o sistema concluiu que ela é uma alternativa adequada à necessidade descrita.
Isso muda o valor de uma menção.
Imagine que alguém pergunte:
“Quais são as melhores empresas brasileiras para fazer GEO?”
Se a IA responder com cinco empresas e incluir a sua, isso pode ter um valor comercial muito maior do que simplesmente aparecer na página 1 para uma palavra-chave genérica.
Porque a IA não está apenas dizendo:
“aqui estão alguns resultados.”
Ela está dizendo:
“estas são opções que você deveria considerar.”
O Google também está se transformando em um mecanismo generativo
Outro erro seria tratar Google e IA como dois mundos separados.
Eles estão convergindo.
O próprio Google está transformando sua busca em uma experiência cada vez mais generativa.
Em 2025, a empresa informou que as AI Overviews já tinham mais de 2 bilhões de usuários mensais e que o AI Mode ultrapassava 100 milhões de usuários mensais nos EUA e na Índia.
Portanto, o futuro não é necessariamente:
Google versus IA.
É muito mais provável que seja:
Google com IA + ChatGPT + Gemini + Perplexity + outros mecanismos generativos + agentes de IA.
A fronteira entre “busca” e “IA” está desaparecendo.
O que isso significa para geração de leads?
Significa que a empresa precisa começar a medir uma coisa que muitas ferramentas tradicionais de marketing ainda não mostram adequadamente:
de onde veio a influência que gerou o lead?
Imagine este cenário.
Uma pessoa pergunta ao ChatGPT:
“Qual é uma boa agência para lançar um curso online?”
A IA recomenda sua empresa.
A pessoa visita seu site.
Não compra imediatamente.
Dois dias depois, pesquisa sua marca no Google.
Entra novamente.
Depois acessa seu Instagram.
Finalmente preenche um formulário.
No CRM, o lead pode aparecer simplesmente como:
Google / orgânico.
Mas a história real foi:
IA → descoberta → Google → marca → site → conversão.
Se você analisar apenas a última origem, poderá acreditar que o Google gerou o lead.
Talvez tenha gerado a conversão final.
Mas a descoberta da marca aconteceu na IA.
Esse é um dos grandes problemas de atribuição da nova economia digital.
A IA pode gerar leads sem que a empresa perceba
Isso acontece porque nem toda influência de IA aparece perfeitamente no Analytics.
Existem pelo menos três situações:
1. Tráfego direto da IA
A pessoa clica no link apresentado pelo ChatGPT, Gemini ou outra ferramenta e chega ao site.
Esse tráfego pode ser identificado como referral dependendo da plataforma, configuração e navegador.
2. Descoberta na IA e busca posterior
A pessoa recebe uma recomendação, memoriza a marca e posteriormente pesquisa no Google.
Nesse caso, o Analytics pode atribuir o tráfego ao Google.
3. Descoberta na IA e acesso direto
A pessoa vê uma recomendação, memoriza o domínio e digita o endereço diretamente.
Nesse caso, pode aparecer como tráfego direto.
Por isso, o tráfego de IA observado no Analytics pode representar apenas uma parte da influência real da inteligência artificial sobre as conversões.
E existe um dado particularmente importante sobre referrals
Uma análise publicada pelo Wall Street Journal em 2026, utilizando dados da Similarweb, apontou que os links fornecidos por chatbots já estavam enviando mais de 230 milhões de visitas por mês para websites, aproximadamente três vezes o volume observado um ano antes.
O mesmo levantamento relatou casos de empresas nas quais os referrals provenientes de IA já representavam uma parcela muito significativa das referências.
Isso não significa que 44% de todas as empresas recebem 44% dos seus leads da IA.
O dado citado pelo jornal se refere à carteira de clientes de uma empresa específica.
É exatamente esse tipo de distinção que precisa ser feita para não transformar uma estatística real em uma afirmação enganosa.
Então o SEO morreu?
Não.
Essa conclusão seria errada.
Na verdade, o SEO está se tornando mais complexo.
O Google continua responsável por uma escala gigantesca de descoberta.
Além disso, a própria inteligência artificial precisa de informação para construir respostas.
A pesquisa acadêmica recente sobre AI Overviews mostra justamente que os sistemas generativos continuam operando sobre informações encontradas na web.
Portanto:
SEO continua sendo infraestrutura.
GEO adiciona uma nova camada sobre essa infraestrutura.
Uma empresa que abandonar SEO para apostar exclusivamente em IA pode cometer um erro estratégico grave.
Da mesma forma, uma empresa que continuar tratando SEO como se a única métrica importante fosse “posição no Google” pode ficar para trás.
O novo modelo: SEO + GEO + autoridade
A estratégia mais madura começa a se parecer com isto:
SEO técnico
↓
conteúdo de qualidade
↓
autoridade temática
↓
autoridade da marca
↓
presença em fontes externas
↓
entidade reconhecível
↓
citações e recomendações em mecanismos generativos
↓
tráfego qualificado
↓
leads
↓
vendas
Isso não substitui o SEO.
Amplia o campo de batalha.
Como preparar uma empresa para essa nova realidade
Uma estratégia de GEO eficiente deve começar com uma auditoria.
1. Auditoria técnica
Verifique:
- rastreabilidade;
- indexação;
- robots.txt;
- sitemap;
- arquitetura;
- links internos;
- dados estruturados;
- desempenho;
- acessibilidade;
- bloqueios para crawlers;
- canonicalização;
- conteúdo duplicado.
Se uma máquina não consegue acessar ou compreender seu site, todo o restante fica prejudicado.
2. Auditoria de conteúdo
Depois, analise:
- clareza das páginas;
- profundidade;
- especialização;
- respostas às perguntas;
- dados;
- exemplos;
- cases;
- autores;
- fontes;
- atualização;
- consistência das informações.
Uma página precisa explicar claramente o que a empresa sabe e por que deveria ser considerada uma autoridade naquele assunto.
3. Auditoria de entidade
Pergunte:
A internet sabe exatamente quem somos?
Não apenas o site.
A web inteira.
A marca aparece de maneira consistente?
Os nomes dos especialistas estão corretos?
As descrições são coerentes?
As empresas associam a marca à categoria correta?
Existem terceiros falando sobre ela?
Existem provas externas?
Esse trabalho é fundamental para GEO.
4. Monitoramento de prompts
Uma empresa também precisa começar a testar sistematicamente perguntas relevantes.
Por exemplo:
“Quais são as melhores agências de lançamento de infoprodutos no Brasil?”
“Qual agência devo contratar para lançar um curso online?”
“Quais empresas fazem coprodução de infoprodutos?”
“Qual a melhor agência de GEO no Brasil?”
“Quais empresas brasileiras são referência em lançamento de infoprodutos?”
E então registrar:
- quais marcas aparecem;
- em qual posição;
- quantas vezes aparecem;
- quais concorrentes aparecem;
- quais fontes são citadas;
- quais argumentos justificam as recomendações;
- quais informações estão faltando sobre sua empresa.
Isso cria uma espécie de Share of Answer.
Uma nova métrica está surgindo
No SEO tradicional, uma empresa acompanha:
posição média
impressões
CTR
tráfego orgânico
palavras-chave
No GEO, precisamos acrescentar:
AI Visibility
menções
citações
recomendações
presença em respostas comerciais
Share of Answer
posição relativa diante dos concorrentes
sentimento ou contexto da menção
fontes utilizadas pela IA
tráfego proveniente de mecanismos generativos
leads influenciados por IA
Isso permite enxergar uma camada do funil que o Analytics tradicional pode não revelar.
O futuro não será sobre “aparecer na internet”
A internet já está saturada de empresas tentando aparecer.
O próximo estágio é diferente.
A empresa precisa se tornar uma resposta plausível.
Quando alguém perguntar:
“Quem entende disso?”
a empresa precisa ser lembrada.
Quando alguém perguntar:
“Quem eu deveria contratar?”
a empresa precisa ser considerada.
Quando alguém perguntar:
“Quais são as melhores opções?”
a empresa precisa aparecer.
Esse é o verdadeiro objetivo do GEO.
O grande paradoxo da inteligência artificial
Existe um paradoxo interessante acontecendo.
As IAs podem reduzir o número de cliques para determinados conteúdos informacionais.
Mas, ao mesmo tempo, podem aumentar a qualidade dos cliques que efetivamente acontecem.
A Adobe encontrou exatamente esse movimento em seus dados.
Em alguns setores, visitantes provenientes de IA apresentam maior engajamento e a diferença de conversão em relação ao tráfego tradicional vem diminuindo rapidamente.
Portanto, a pergunta correta não é:
“Quantas visitas a IA está mandando?”
É:
“Quantas decisões de compra estão sendo influenciadas pela IA?”
Essa é uma pergunta muito mais estratégica.
A empresa que só mede cliques pode não perceber a mudança
Esse talvez seja o maior ponto cego das estratégias digitais atuais.
Uma empresa pode observar:
menos tráfego orgânico
e concluir:
“nosso SEO está piorando.”
Mas talvez esteja acontecendo algo diferente.
O consumidor pode estar:
pesquisando menos vezes determinadas informações no Google
recebendo respostas diretamente nas SERPs
consultando ChatGPT
consultando Gemini
consultando Perplexity
chegando ao site por recomendação de IA
pesquisando a marca posteriormente
convertendo depois de múltiplos contatos.
O comportamento mudou.
Logo, a forma de medir também precisa mudar.
SEO não está desaparecendo. A era do monopólio da descoberta está.
Durante muito tempo, o Google ocupou uma posição quase central na descoberta digital.
Isso não significa que ele deixará de ser dominante.
Os números atuais mostram exatamente o contrário.
Mas agora existe uma nova camada de intermediários entre o consumidor e a empresa.
E esses intermediários são capazes de fazer algo que o mecanismo de busca tradicional não fazia da mesma maneira:
interpretar a necessidade e formular uma recomendação.
Essa diferença muda o jogo.
Conclusão: a próxima batalha não é pelo primeiro lugar
A disputa digital está saindo de:
“Quem aparece primeiro?”
para:
“Quem é considerado relevante o suficiente para ser recomendado?”
O Google continua gigantesco, com mais de 5 trilhões de pesquisas anuais.
O ChatGPT já ultrapassava 2,5 bilhões de mensagens diárias em 2025.
As AI Overviews do Google já alcançavam 2 bilhões de usuários mensais em julho de 2025.
E os dados da Adobe mostram que o tráfego proveniente de IA para empresas cresceu de maneira exponencial em 2024 e 2025, ao mesmo tempo em que apresentou sinais de maior engajamento e aproximação das taxas de conversão tradicionais.
Portanto, a transformação não é uma questão de escolher entre Google ou inteligência artificial.
A empresa precisa estar preparada para os dois.
SEO continua sendo essencial para ser encontrado.
GEO passa a ser essencial para ser compreendido, citado e recomendado.
E existe uma diferença fundamental entre essas duas coisas.
Ser encontrado significa aparecer quando alguém procura.
Ser recomendado significa aparecer quando alguém pergunta o que deveria escolher.
Essa pode ser uma das mudanças mais importantes do marketing digital na próxima década.








