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No futuro, os eBooks vão agir exatamente como redes sociais. Vamos usá-los em nossos telefones, compartilhar e comentar direitamente dentro dos dispositivos e-reader, e os editores vão usar nossos dados para ajudá-los a tomar melhores decisões de marketing. Se você acha que a leitura digital está explodindo agora, espere só mais um pouco.

 

“Eu vou desistir dos meus livros impressos quando for retirado o último exemplar das minhas mãos frias e mortas”.

Isso é o que eu digo às pessoas quando me perguntam que tipo de e-reader eu tenho. Como jornalista de tecnologia, escritor e romancista, eles esperam que eu possua o mais recente Kindle ou que eu seja um aficionado por iBooks. E tem mais… Parece que essas pessoas ficam  genuinamente chocadas quando eu lhes digo que eu gosto mesmo é dos meus livros de papel.

As razões que dou para preferir os livros de papel, provavelmente, não são diferentes do que as outras pessoas dizem: é o cheiro, a sensação, e a forma como os livros tornam-se itens decorativos em nossas prateleiras quando terminamos de absorver todas as palavras maravilhosas que eles contêm.

Mas, como um jornalista de tecnologia, eu também sei que um dia eu vou ser arrastado para o futuro livro digital gostando ou não – ou ser deixado para trás sem novas histórias para ler. É por isso que eu decidi sentar-me com Henrik Berggren, CEO de uma pequena, mas crescente startup chamada Readmill que parece ter uma perspectiva própria sobre o futuro da leitura.

Conversando com ele, descobri que, em comparação com o que a Readmill planeja, os eBooks de hoje parecerão pergaminhos empoeirados. No futuro, os eBooks vão explodir além do conteúdo e das histórias, tornando-se nichos de redes sociais onde discutiremos nossas passagens favoritas com outros leitores. Até mesmo os autores e as editores poderão acessar nossos dados para tomar decisões mais embasadas. Então segurem-se, amantes de livros apertados. O processo de leitura, como nós o conhecemos hoje, irá mudar em breve, para sempre.

 

Cada livro será a sua própria rede social

Eu comecei a minha conversa com Berggren, um homem que está apostando todo o seu futuro na criação de um aplicativo de leitura muito mais abrangente e complexo, dizendo-lhe que não sou um fã de qualquer um dos e-readers de hoje, como o Kindle ou iBooks em dispositivos iOS, ou qualquer outro tipo de software de leitura em geral. Você acha que isso o deixou nervoso ou até mesmo hostil?

Em vez disso, ele sorri e concorda comigo.

“A razão pela qual eu e meu co-fundador David Kjelkerud começamos a Readmill é porque pensamos que muitas das pessoas que estavam construindo essas plataformas de leitura estavam fazendo isso da forma errada”, explica ele. “Quando iniciamos, havia basicamente iBooks e Kindle que foram levando o jogo. Ambos estavam construindo sua própria escalada. Mas está faltando um monte de coisas em seus sistemas integrados e verticalizados. ”

Apple e Amazon estão projetando eBooks, mantendo o antigo modelo, de mais de 2500 anos, de livros como coleções independentes das palavras, completamente diferente e distante de como os leitores compartilham e discutem conteúdos on-line hoje. Enquanto a maioria dos e-readers permitem compartilhar trechos ou links do livro que você está lendo, e sites como o Goodreads permitem que você compartilhe o que leu, essas aplicações continuam tratando o livro e as discussões em torno deles como coleções distintas. Pior, esses aplicativos forçam os usuários a se distraírem no mundo perturbador da Internet, tornando difícil manter o foco na leitura.

Isso não se coaduna com Berggren, então ele veio com uma solução engenhosa: Faça de cada livro a sua própria rede social independente.

“Pensávamos que havia um enorme potencial para levar a experiência do Goodreads para os livros, mas fazendo isso de modo que a leitura fosse integrada e contínua”, diz Berggren. “Então, ao invés de ter que ler o seu livro e, em seguida, pensar ‘Ok, agora eu tenho que ir para o Goodreads, encontrá-lo lá, adicioná-lo ao meu perfil e escrever o meu comentário,‘ nós só queríamos que o usuário compartilha-se sua impressão de dentro do próprio livro”.

O resultado é impressionante. Berggren e sua equipe desenharam o aplicativo Readmill para que as palavras – e apenas as palavras – tornem-se o ponto central de cada página. Mas se você encontrar uma passagem que goste ou uma frase que o irrite, você pode destacá-la na página e, em seguida, comentar sobre ela direitamente de dentro do livro. Outros usuários Readmill lendo o mesmo livro, então, verão estes comentários e poderão escolher adicionar seus próprios pensamentos. Isso inicia uma discussão – na verdade, uma rede social – no livro, sem ter que deixá-lo. O formato de rede social embutida no livro também permite que os autores participem das discussões com seus leitores. E, claro, se o leitor não quiser ser interrompido pelos comentários de outras pessoas, ele pode simplesmente desativá-los e ficar com as palavras na mão.

“O problema com empresas como a Apple e a Amazon é que elas são os varejistas”, diz Berggren. “Elas não são um serviço de leitura, e há uma grande diferença. É a diferença entre o tipo de foco que você tem e que tipo de experiência você quer trazer para seus usuários. Temos nos destacado da venda do livro para sermos capazes de nos concentrarmos na experiência social cem por cento”.

 

E-book Analytics irá ajudar na estratégia de marketing, formatação e até mesmo no processo de escrita

Berggren decidiu se concentrar em ajudar as pessoas a lerem os livros ao invés de comprá-los, a Readmill não planeja operar sua própria loja de eBooks. Em vez disso, possibilita aos usuários importarem seus eBooks a partir de outras fontes, incluindo arquivos ePub e PDF até mesmo com DRM. O formatos Kindle, da Amazon e da Apple iBook não são compatíveis ainda porque bloqueiam os seus livros digitais para uso em plataformas específicas. O aplicativo é gratuito, a empresa ganha dinheiro com a venda, para editoras, de dados anônimos que recolhe sobre os hábitos de consumo e leitura de seus usuários.

“Autores e editores têm acesso a um painel onde se pode ver a matriz de engajamento de um livro específico e observam quantas pessoas começam a ler o livro e realmente o terminam, quanto tempo levam, se recomenda-o aos amigos, e quanto eles compartilham de toda essa experiência”, explica Berggren.

De acordo com Berggren, os editores modernos perdem muitas oportunidades de marketing para os seus autores porque eles não sabem onde ou quando direcionar seus esforços de marketing. Por exemplo, a maioria dos editores do Reino Unido dizem que eles só têm sessões de autógrafos e leitura em Londres porque eles recebem estatísticas de vendas muito atrasadas dos outros lugares e não sabem para onde ir, até que seja tarde demais. Londres é sempre uma aposta segura.

“Isso é uma enorme falha na forma de como acompanhar, analisar onde as pessoas realmente gastam tempo lendo livros, onde os leitores estão e como eles se envolvem”, afirma Berggren. “O que se consegue verificar com o aplicativo é se o autor, por exemplo, tem um grupo altamente engajado de leitores em Edimburgo ou Liverpool ou algum outro lugar em todo o Reino Unido, para não mencionar os EUA, obviamente, onde se possa concentrar alguma ação de marketing mais específica para aquela região. Portanto, há muito desse tipo de oportunidade e informação onde os dados podem realmente trazer os autores para mais perto de seus leitores”.

Berggren faz uma boa argumentação, mas como jornalista, eu sei que o foco e atenção em tanta análise, muitas vezes influencia o que os editores publicarão, ou até mesmo como eles irão cobri-los. Isso levanta a questão: Se um editor pode ver que um monte de leitores estão parando em um determinado capítulo do livro, ou mesmo correndo por ele, não poderiam usar esses dados para ditar o estilo de escrita do autor ou ritmo do seu próximo livro? Nesse caso, não seria um perigoso hábito deixar o leitor ditar a criação do próximo trabalho do autor?

“Eu acho que este poder de ditar o que será escrito vai até certo ponto”, diz Berggren, “e eu também acho que em alguns casos isso é muito bom. Um bom exemplo disso seria em livros de não-ficção, onde se poderia revelar áreas em um livro que podem ser explicadas melhor, ou que as pessoas não entendem, ou perdem o interesse porque fica muito complexo”.

Não-ficção é uma coisa, mas como um amante de histórias, isso faz com que me inquiete. Afinal, The Master and Margarita seria uma obra-prima se tivesse sido escrita com base nos dados analíticos, dizendo as partes que deveriam ser arranjadas ou reorganizadas?

“Obviamente, a ficção é uma história diferente”, acrescenta Berggren, talvez sentindo a minha apreensão. “Você pode pintar um futuro distópico, onde editores dizem, ‘Oh, as pessoas estão pulando este capítulo. Você não pode escrever desse jeito.‘ No entanto, eu acho que é improvável que isso aconteça. O mais provável é aprender sobre como as pessoas consomem livros e o que eles gostam ou não gostam. Esta é a chave para proprocionar uma indústria melhor”.

 

Vamos ler em nossos telefones

Para entender outras aplicações dos dados que ele coleta com o Readmill, peço que Berggren fale sobre os resultados surpreendentes de um experimento que ele apresentou em uma conferência em Malmö, na Suécia, no início deste mês, sobre a evolução da mídia. Através da coleta de dados, a partir de várias versões do aplicativo Readmill e de outras fontes, Berggren descobriu que o tipo mais popular de e-reader não é um dispositivo dedicado como o Kindle, ou um tablet como o iPad. É o smartphone.

Berggren diz que nunca acreditou que os dispositivos de uso único, como o Kindle original seria generalizada, uma previsão que parece estar descartada agora. Ele acreditava também que dispositivos polivalentes, como o iPad, se tornariam a primeira escolha para a leitura eletrônica da maioria das pessoas, não os telefones. Segundo dados do Readmill, no entanto, os smartphones não são apenas o dispositivo de e-leitura mais popular, eles são os melhores em manter os leitores engajados também.

“Não é só que eles estejam gastando mais tempo em ler os livros porque a tela é menor. Mesmo levando em conta o tamanho da tela, os usuários de smartphones leem mais frequentemente, acabam mais livros em geral, eles começam mais livros, eles compartilham mais citações e eles escrevem mais comentários”, diz Berggren. “Isto pinta um quadro muito claro onde as pessoas que estão mais envolvidas com os seus livros são as pessoas que leem em seus telefones”.

Como um amante dos livros de papel, tudo que eu consigo pensar é: “Telefones? Como se um Kindle ou um iPad não fossem ruins o suficiente!” Então eu pergunto o que explicaria o aumento da leitura em smartphones? É só porque eles são fáceis de tirar do nosso bolso quando estamos em um trem ou à espera de uma reunião para começar? Berggren diz que ainda tem mais dados para peneirar, mas, no momento, este é o seu palpite.

“Atualmente, com tudo o que está acontecendo, temos muitas distrações ao longo do dia”, diz ele, “então eu acho que uma boa maneira de manter o ciclo da história que você está lendo ou manter o interesse no livro é tê-lo com você o tempo todo e pegar todos esses micro-momentos para continuar lendo a história. Eu acho que isso nos mantém altamente engajados e vai, certamente, tornar mais fácil o término do livro, porque teremos mais tempo e mais oportunidades para nos sentarmos e ler. ”

Eu não estou totalmente certo se Berggren sabe o quanto eu estou duvidando que os telefones possam, eventualmente, ser uma experiência de leitura decente. Antes de terminar a entrevista, ele bate mais um prego no caixão de livros impressos.

“No final de tudo, eu realmente acho que a conveniência será a vencedora”, diz ele. “Eu realmente acho que o melhor e-reader é o e-reader que você tem o tempo todo e que o  telefone é o único dispositivo de leitura para um monte de pessoas no mundo”.

Esta é a ideia que percorre o aplicativo Readmill. Num mundo tão ocupado como o de hoje, encontrar tempo para ler, refletir e compartilhar a palavra escrita precisa ser tão prática quanto possível. O smartphone pode ser extremamente perturbador, mas se projetarmos a experiência de leitura da forma correta, poderemos abraçar a leitura de praticamente qualquer lugar e em qualquer momento.

No meu caminho de casa, no trem lotado, naquela noite, o passeio é longo e há um atraso nas pistas. Após 10 minutos, eu já li o jornal gratuito da noite de capa a capa, e não há ainda nenhum sinal de movimento do trem. Então eu tiro meu iPhone do bolso e abro uma cópia de The Master and Margarita. E como eu sou levado para o incrível mundo de uma Rússia há muito esquecido, de repente ficar preso nos trilhos não é tão ruim assim. Talvez o futuro da leitura não seja tão assustador, afinal.

 

Publicado originalmente por Michael Grothaus no Fast Co Labs

Tradução: Pablo Massolar

No futuro os eBooks serão redes sociais
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