Seis reflexões sobre os eBooks no Brasil

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No final do ano passado, a Amazon e o Google inauguraram suas lojas virtuais no país e a Livraria Cultura lançou o primeiro e-reader exclusivo de uma rede de livrarias física por aqui. Seriam os movimentos decisivos para o livro digital pegar pra valer em terra brasileira? Em uma das mesas de debate da GALILEU na Campus Party 2013, especialistas foram convidados para discutir a popularização do e-book no Brasil e suas repercussões no mercado editorial e no acesso à educação. Pinçamos seis questões que vieram à tona nesse bate-papo, que contou com Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, Roberto Bahiense, diretor da biblioteca virtual Nuvem de Livros, Hubert Alquéres, vice-presidente de comunicação da Câmara Brasileira do Livro, e Carlo Carrenho, diretor do site Publishnews.

 

1. Revolução no hábito e no modelo

Todos os debatedores veem com otimismo o processo de popularização do livro digital. Carlo Carrenho compara esse fenômeno ao da invenção da imprensa por Gutenberg no século 15, argumentando que a principal mudança propiciada pelo modelo digital se dá no acesso e na distribuição do conteúdo. Os dispositivos de leitura digital facilitam a adesão aos e-books pelo fato de possuírem atributos técnicos que simulam bem a leitura em papel, embora se questione até que ponto pessoas que não leem muito estariam dispostas a investir num aparelho feito exclusivamente para essa finalidade. A realidade brasileira difere bastante da americana nesse ponto, uma vez que, em média, nossa população lê entre dois e quatro livros por ano.

 

2. Tablet versus e-reader

Roberto Bahiense questionou o modelo dos e-readers por ele estar mais limitado, pelo preço e por sua função exclusiva de leitura, à parcela da população mais favorecida financeiramente. Ele vê os tablets, pelo fato de serem multifuncionais, mais próximos da nossa realidade, defendendo ainda que, como eles permitem acesso a bibliotecas digitais que começam a ser implementadas no país, se tornam ferramentas de acesso à educação e a obras clássicas.

 

3. Solução digital para escolas e bibliotecas

Bahiense ainda levantou a questão de que o Brasil sofre com a carência de bibliotecas físicas e uma baixa oferta de livros nas escolas. Projetos de biblioteca digital seriam uma forma de contrapor esse problema crônico, uma vez que facilitam e estimulam o acesso tanto a obras didáticas quanto aos clássicos literários. Hubert Alquéres acredita que, com a distribuição de tablets mediada pelo governo, o livro digital deve, nos próximos anos, se estabelecer nas escolas, necessitando, para tanto, um maior trabalho de capacitação dos professores e pedagogos.

 

4. E o livro de papel?

Não, ele não deve acabar, apesar do crescimento nas vendas do e-book. Sergio Herz informou que mais de 3% dos livros comercializados pela Cultura já são digitais. No entanto, argumenta que precisamos de cautela ao discutir o modelo de tablets nas escolas. Enquanto esses dispositivos duram cerca de seis meses nas mãos dos alunos, um livro de papel pode durar anos. Será que, nesse primeiro momento, o formato digital será viável nas escolas do ponto de vista econômico? Carrenho complementou a discussão sobre o futuro do livro impresso apontando que alguns ramos, como o dos livros de arte, devem continuar bem vivos.

 

5. E as editoras e livrarias?

Alquéres acredita que o movimento dos e-books vem obrigando as editoras a repensarem seu modelo e as forçará a ser cada vez mais produtoras de conteúdo. Sergio Herz crê que problemas enfrentados pelas livrarias físicas — nos Estados Unidos algumas fecharam as portas nos últimos anos — não são movidas pela ascensão do livro digital, mas, sim, reflexo de uma mudança de panorama no comércio de varejo. Em todos os segmentos o on-line passou a operar de maneira mais intensa e lucrativa.

 

6. O brasileiro vai ler mais mesmo?

Os debatedores acreditam, de modo geral, que o livro digital inaugura uma nova alternativa de acesso, o que só favorece a leitura no país. Dados americanos sinalizam que, com a opção do e-book e do e-reader, as pessoas passam a ler mais, mas Carrenho diz que é difícil transpor esses indicativos à realidade nacional. A quem questiona o livro digital afirmando que ele aumenta a venda de livros, mas pouco a leitura — as pessoas tendem a ler mais textos curtos do que obras inteiras na telinha —, o jornalista contrapõe dizendo que muita gente compra o livro físico e o abandona pelo meio. Sergio Herz pontuou que ainda não podemos comparar esse índice de leitura entre papel e digital, porque, embora saibamos o quanto alguém lê em um e-book, não temos como verificar o mesmo no modelo impresso.
 
Fonte: Diogo Sponchiato | Galileu
 

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